Mais do que combater a corrupção
O problema dos políticos brasileiros não é apenas a apetência para avançar no dinheiro público, mas a escassez de liderança, a baixa competência para propor, avaliar e aprovar grandes projetos, e no geral o pouco conhecimento acerca dos problemas de sua área de atuação e por extensão dos problemas nacionais. A Igreja Católica e a Ordem dos Advogados do Brasil lançam-se novamente em campanha de alertamento ao eleitorado, para bem escolher os candidatos nas eleições deste ano, e esse movimento traz resultados. Mas falta algo mais de qualificação por parte dos postulantes a cargos eletivos. Desde as câmaras de vereadores até o mais alto escalão parlamentar, incluindo também os Ministérios e a própria figura do presidente da República, os candidatos são pouco preparados. Intelectuais alguns, populistas outros, astutos chefes políticos outros mais, porém sem grande competência gerencial para tocar um município, um Estado e um país do tamanho e das circunstâncias do Brasil. Tem-se escrito que, para qualquer função, exige-se qualificação profissional, menos para os que irão cuidar da administração pública. Governar uma nação é como governar uma empresa gigante, mas os políticos acham que só bastam discursos. Assim é com os governos municipais, com os estaduais e com o federal. E especialmente com aqueles cuja incumbência é produzir leis novas e extinguir as antigas e inadequadas, e fiscalizar o ordenamento constitucional. Cultua-se o ideal e a propaganda de eleger os melhores, mas a sabedoria popular diz que a única opção é eleger os menos piores. Questiona-se, então, como saber-se quem são os melhores, porque só no exercício do cargo se saberá. Exemplos de frustrações não faltam, porque a envolvência com o poder e as tentadoras ofertas induzem os homens públicos a corromper-se. Os frágeis sucumbem, e eles formam um grande contingente, bastando aferir a crônica escandalosa da política brasileira, desde todos os tempos. É bom que a Igreja se levante, que a OAB se engaje, mas esses movimentos precisam ganhar mais abrangência, de forma a provocar mudanças também na legislação eleitoral. Para uma boa seleção de candidatos que deve começar dentro dos partidos deveria prevalecer a capacitação, adquirida em escola de formação política de nível universitário, e a comprovada honestidade. Cidadãos honestos e incorruptíveis existem, mas estes temem ingressar no universo da vida política, e os partidos também não os husca, preferindo os bons de voto, de qualquer espécie. Uma reforma política teria de começar por aí. Ou se terá de continuar escolhendo os menos piores.





