Parece notícia velha, mas só mostra como na política brasileira o bem comum muitas vezes está em último lugar. O clã Sarney volta a protagonizar notícias nas páginas policiais. Denúncia publicada nesta semana pelo jornal O Estado de S. Paulo informa que a Controladoria Geral da União (CGU) constatou, em auditoria, fraudes na execução de um projeto executado pela Fundação José Sarney, entidade privada criada com o objetivo de preservar a memória do ex-presidente da República, com dinheiro da Petrobras. O valor do convênio? R$ 1,3 milhão.
Segundo a reportagem, entre as irregularidades, apontadas pelo CGU, estão desvio de recursos, uso de notas frias, falta de comprovação de serviços e contratações irregulares. O recurso ''investido'' pela estatal tinha como objetivo inicial preservar o acervo e reformar as dependências da fundação. Mas, a denúncia fala que pelo menos R$ 129 mil foram usados para custear despesas não previstas no projeto original.
Como não poderia deixar de ser, Petrobras, José Sarney e Fundação negam irregularidades. Caso comprovadas as fraudes, o Tribunal de Contas da União (TCU) vai apurar o caso.
Estamos diante de mais uma história mal contada protagonizada por um dos representantes da velha política, do clientelismo, do coronelismo. A julgar pelas denúncias anteriores, os envolvidos, o presidente do Senado Federal incluído, não deve sofrer grandes consequências. E está justamente aí um dos maiores problemas do Brasil.
Corrupção e desvio de dinheiro público não foram inventados por estas bandas, nem mesmo são exclusividade brasileira. A grande diferença está nas consequências. Em qualquer país sério, quem rouba os cofres públicos é exemplarmente punido. Com cadeia. Além disso, os larápios vestidos em pele de cordeiro sentem o mínimo de vergonha por serem pegos com a boca na botija.
Por essas bandas, a situação muda de figura. É um tal de ''nego veementemente'' para cá, trata-se de um ''complô'' para lá, ou culpa da ''elite''. Aliada a essa verdadeira cara de pau está a morosidade da Justiça. A legislação brasileira permite tantos recursos e, no caso de suas excelências, dá tantas benesses (foro privilegiado, por exemplo), que se torna praticamente impossível dar pena exemplar. Perde a população e perde a nação.

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