Mais desonerações
A linha de crédito Minha Casa Melhor lançada ontem pelo governo federal mais uma vez privilegia o consumo. A iniciativa vai disponibilizar R$ 18,7 bilhões para a compra de móveis e eletrodomésticos para beneficiários do Programa Minha Casa Minha Vida. As famílias, que não podem estar inadimplentes com o programa habitacional, poderão financiar até R$ 5 mil, com taxas de juros de 5% ao ano e prazo de até 48 meses para pagar.
Sem dúvida a iniciativa é positiva porque manterá o consumo em alta entre um público que ainda demanda esse tipo de produto. Garante a manutenção do emprego na indústria e no varejo, além de movimentar a cadeia de commodities necessária à fabricação dos eletrodomésticos. De quebra ainda pode gerar uma redução no consumo de energia elétrica, se equipamentos antigos forem substituídos pelos mais novos, mais eficientes. Indiscutivelmente é uma medida importante.
No entanto, mais uma vez o governo federal aposta no consumo para tentar resolver os problemas internos. A crise econômica internacional tem afetado alguns setores produtivos e, talvez, seja necessária a adoção de medidas voltadas também ao crescimento sustentável do País. Investimentos em infraestrutura logística tema de reportagem desta FOLHA recentemente é uma das alternativas apontadas.
Investimentos em rodovias, ferrovias, portos e aeroportos são extremamente necessários. Vai continuar movimentando a economia, por meio da geração de emprego e manutenção da renda, além de vários setores da cadeia produtiva. Beneficiaria também as indústrias e o agronegócio, que tanto reclamam e sofrem com o "custo Brasil". Será que já não é passado o momento de pensar mais seriamente em uma política de longo prazo, com a discussão das reformas tributária e previdenciária, com propostas que "pensem" o Brasil a longo prazo?
Medidas pontuais até são positivas. Beneficiam setores importantes da cadeia produtiva, melhoram a qualidade de vida da população, mas são passageiras e a cada momento será necessária a edição de um novo programa, uma nova desoneração. Se fosse discutido o "conjunto", beneficiaria a todos igualmente e traria resultados muito mais positivos à economia.





