Não será preciso fazer uma pesquisa nacional para saber se que a população inteira é contrária à permanência da denominada Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira, a fatídica CPMF. Por isso, 1,1 milhão de assinaturas pedindo o fim desse imposto devem valer alguma coisa, pois é um expressivo volume (coletado em pouco tempo) e representa todo o contingente populacional, porque não há quem não movimente dinheiro rastreado pelo sistema. Essas assinaturas - que são opiniões - foram colhidas pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, e, em forma de documento, acabam de ser entregues à comissão especial da Câmara Federal que analisa o projeto do Governo prorrogando a cobrança.
A CPMF, sabem todos, foi sugerida pelo ex-ministro da Saúde Adib Jatene para atender às necessidades da saúde pública, e tinha caráter temporário. Além de ser prorrogada continuamente - e agora o Governo Lula a quer até o final do mandato - pouco serviu à causa a que era destinada, como acontece no geral com tantas verbas específicas que acabam derivando para outras finalidades, com destaque o pesado pacote das mordomias e a corrupção. É um tributo injusto, que deixa de gerar riqueza nas bases de onde é extraído e cai no domínio governamental gastador e mau gerenciador.
Estudiosos das contas públicas afirmam que o Tesouro disponibiliza de mais de R$ 50 bilhões em reservas (dinheiro parado), prevendo-se valor ainda maior para o ano que vem, e que por isso não há necessidade de a CPMF ser mantida. Mas é óbvio que o Governo inflado de gastos - os necessários mas em grande volume os abusivos - não quer abrir mão de uma soma tão fabulosa, que foi de R$ 36 bilhões este ano e deve subir para R$ 38 bilhões em 2008. É muito dinheiro retirado do meio circulante e que faz falta ao giro dos negócios e à dinamização da economia. Que assim, ao invés de gerar riqueza, fica fazendo estoque no cofre governamental, para manter (inclusive) a farra pública.
Os analistas são unânimes: se o Governo reduzisse o gasto desnecessário e desenfreado poderia tirar esse encargo das costas do povo e diminuir também outros impostos e baixar alíquotas. Mas o que faz é ameaçar com corte de investimentos caso a CPMF seja extinta. De nenhuma forma acena com a diminuição da extravagância de gastos, e por aí avalia-se que tipo de governo temos. É oportuno lembrar que poucos países cobram impostos sobre operações financeiras, e o irônico é que, no caso, o brasileiro paga imposto até para pagar imposto... Porque quando o faz, movimenta finanças, e isto entra na conta. Toda a economia é prejudicada por conta desse ''luxo'' tributário.

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