Mais corrupção
Tardou, mas não falhou. Ontem a Polícia Federal (PF) deflagrou a "Operação Fair Play", que apura suspeitas de superfaturamento na construção da Arena Pernambuco, um dos estádios erguidos para sediar os jogos da Copa do Mundo do ano passado. Importante acrescentar que antes do início da competição a viabilidade de se investir em grandes estádios de futebol já era questionada pela sociedade, tanto que os gastos excessivos para a realização da Copa entraram na pauta de reivindicações dos protestos realizados pela população em 2014.
No centro das investigações está a Construtora Odebrecht, também investigada na Operação Lava Jato. O presidente da empresa, Marcelo Odebrecht, e outros ex-executivos da companhia estão presos há quase dois meses e são réus em um processo por corrupção e lavagem de dinheiro. Na "Fair Play", o superfaturamento na obra da Arena Pernambuco foi estimado em R$ 42,8 milhões, valor que atualizado pode chegar a R$ 70 milhões. Os investigadores também buscam informações sobre custos das obras do Itaquerão (SP), da Fonte Nova (BA) e do Maracanã (RJ), também construídos ou reformados pela Odebrecht.
É interessante que as investigações sejam ampliadas também para obras de outros estádios. Agentes públicos e empresários têm que estar cientes de que seus atos têm consequências e que recursos públicos não podem ser desviados para objetivos pessoais. Além disso, assim como foram encontrados indícios de irregularides em obras para a Copa do Mundo vários outros projetos também podem ter sido alvo de ilicitudes e é preciso investigar.
A impunidade tem que acabar. Ainda que a Operação Lava Jato tenha se transformado em um dos símbolos da luta contra a corrupção a partir da prisão de políticos e grandes empresários e de recuperação do dinheiro desviado, não se pode parar. As investigações têm que avançar e devem responsabilizar todos os envolvidos.





