Este Jornal mostrou em suas páginas de economia que o número de contas bancárias aumentou 37% no Brasil, de 2001 a 2006, a maioria na Caixa Econômica, no Banco do Brasil e no Banco Popular do Brasil. Isto não significa que houve melhoria do padrão econômico-financeiro da população, mas ao contrário, uma massificação da dependência de bancos - sobretudo os mais populares, onde, em momento de apuro, pode-se recorrer a empréstimo. Para não falar do cheque especial, cujo juro está acima de 8% ao mês e leva muitos à inadimplência, enquanto faz a alegria dos bancos.
  Na mesma página em que esta notícia é publicada lê-se que a linha de penhor da Caixa Econômica atingiu recorde no mês passado, significando que as pessoas estão penhorando mais que antes, para obter dinheiro - sinal de baixa prosperidade. Quanto mais aumenta a fila do penhor, mais empobrecido o povo. O número de contas bancárias já está quase uma para cada cidadão, se fosse possível fazer essa comparação, porque muitos não as têm e outras têm mais de uma. São 143 milhões delas, para 186 milhões de habitantes, conforme os números de 2006 do Banco Central. São, portanto, 143 milhões de portais por onde o sistema bancário introduz dezenas e dezenas de pequenas tarifas, que são hoje - além dos juros exorbitantes - uma milionária fonte de renda. Os clientes nem devem observar com atenção, mas pagam uma fortuna anual em forma desses ‘‘serviços’’ que os bancos cobram, afora o já conhecido e discutido imposto ‘‘provisório’’ denominado CPMF, a permanente contribuição sobre todas as movimentações financeiras. No penhor da Caixa o volume se expandiu 11,5% em relação às aplicações médias anuais. Portanto, mais gente em busca de dinheiro emprestado, porque a renda própria não é suficiente para as necessidades de vida.
  A Caixa espera que até o final deste ano o movimento nesse setor registre um pico de 20% a mais que em 2006. A expectativa é, certamente, baseada no ritmo crescente das necessidades do povo. Reside aí um fato interessante, porque as garantias desse tipo de empréstimo são jóias, relógios e canetas de valor, portanto posses de pessoas mais abastadas. Isto não invalida o sinal de uma situação de empobrecimento, pois quem não necessita não faz empréstimo aleatório, mesmo que a juro menor como o do penhor. Também são aceitas garantias de menor valor, porque existem clientes que pedem apenas R$ 50, enquanto o limite máximo é de R$ 50 mil. Ter conta em banco e cartão de crédito não é um bom negócio, embora a praticidade. Se o costume antigo de carregar dinheiro vivo na carteira ou guardá-lo em casa é perigoso, é igualmente um risco portar talão de cheques, por causa dos roubos, e também os cartões de crédito, que podem ser perdidos ou clonados. No caso da fila do penhor, se ela aumenta é porque as coisas não andam bem financeiramente para os brasileiros.

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