Para o Governo, reajustar salários é fácil. Basta enviar uma Medida Provisória à Câmara dos Deputados. É o que acaba de ocorrer, com a aprovação de elevação salarial para nada menos que 471.477 servidores federais. Com a medida – tomada por um plenário quase vazio – o ônus para a nação será, só neste ano que finda, de R$ 3,46 bilhões, para um universo de funcionários com variação de salários de R$ 7,5 mil a R$ 19 mil.
  O benefício não se destina a serviçais básicos da saúde, da educação ou da segurança, mas na grande maioria a burocratas de Ministério da Fazenda, DENIT, Seguridade Social e do Trabalho, Zona Franca de Manaus, Imprensa Nacional, Administração do Patrimônio da União, Ministério do Meio Ambiente, Ibama, Ministério do Desenvolvimento Agrário, assistentes de chancelarias e por aí em diante.
  Ocorre que todo esse pessoal já tinha salários elevados. E se isso não bastasse, recentemente o Governo criou mais 11.540 cargos efetivos do Executivo. Assim, ao invés de diminuir gastos públicos, o presidente Lula (autor das MPs reajustadoras e criadoras de mais postos) onera grandemente a folha de pagamentos. Há casos em que o aumento foi de 150%. Para melhoria do Sistema Único de Saúde não há dinheiro, mas para essa gente toda – grande parte, com toda a certe-za, dispensável – ele existe em abundância, como se vê. E toda essa generosidade não irá resultar em nenhuma melhoria de serviços em benefício público. Também não ocorrem reparos nas rodovias, que estão em péssimas condições, mas os salários dos funcionários do Departamento Nacional de Infra-Estrutura dos Transportes são reajustados. O Ibama pouco faz para preservação das florestas, mas seus burocratas são contemplados. Reforma agrária consistente não existe, mas o pessoal do Ministério do Desenvolvimento Agrário passa a ganhar melhor.
  Ressalvados alguns casos, a medida é afrontosa, porque esse gasto a mais – que irá se multiplicando a cada uma – não é em obras e serviços mas em regalia salarial para elites do funcionalismo. Desse modo, o Governo – tendo de gastar mais – recorrerá à fórmula mágica de elevar impostos, e assim, se hoje cada trabalhador destina cinco meses de tudo o que ganha, no ano, para sustentar o Governo, doravante poderá ter de trabalhar ainda mais para alimentar esse mastodonte.

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