Mais álcool à gasolina
Caso seja confirmado o aumento da adição de álcool anidro à gasolina, como anunciou nesta semana o governo federal, será mais um peso no bolso do consumidor. Atualmente, o percentual da mistura é de 20%, mas o ministro Edison Lobão, de Minas e Energia, sinalizou a intenção de alterar o índice para 25%. Apesar do ganho ambiental - uma vez que o álcool é considerado ''combustível verde'' e, portanto, menos poluente do que a gasolina -, essa alteração neste momento não se justifica.
Embora também seja uma fonte de energia renovável, o álcool chega nas distribuidoras mais caro do que a gasolina, segundo informações do Sindicombustíveis-PR. Enquanto o custo de um litro de gasolina é de R$ 1,2471 (sem impostos), o preço do litro de álcool anidro é de R$ 1,3334. O momento já é de safra da cana-de-açúcar, quando os preços deveriam baixar. No entanto, não é o que tem ocorrido. Pelo contrário. Estimativas do setor apontam que a cotação deve se manter.
Por outro lado, o presidente do Sindicombustíveis-PR, Roberto Fregonese, já sinalizou que poderá haver um reajuste de R$ 0,06 no litro dos dois produtos caso esse aumento seja determinado. É um absurdo penalizar o consumidor com um preço ainda mais alto até porque abastecer com álcool já é menos vantajoso do que a gasolina em vários Estados. A adoção de uma medida como essa deveria ocorrer apenas se não houvesse alteração do preço no varejo, uma vez que não foi dada qualquer explicação que justifique o aumento do percentual da mistura.
O Brasil é um dos países que mais investiu no desenvolvimento do combustível verde e é também um dos maiores usuários do produto, devido à explosão dos carros flex. De acordo com dados da Associação dos Produtores de Bioenergia do Estado do Paraná (Alcopar), o País importa anualmente cerca de 1,4 bilhão de litros de álcool, enquanto exporta 1,9 bilhão de litros. Se a conta não fecha, talvez seja mais interessante ao mercado interno suspender parte das exportações.





