Em seus 60 anos de existência, que se completam no próximo novembro, a FOLHA DE LONDRINA manteve a diretriz de não assumir posição político-partidária, e seguindo essa linha abre espaço - como fez ontem - para a sociedade organizada formular perguntas aos candidatos à Prefeitura de Londrina. Assim, transfere de seus repórteres para lideranças da comunidade o mister de questionar os postulantes ao mais relevante cargo eletivo do município. As respostas serão pontos de referência do eleitor, para depois fazer cobranças daquele que for eleito.
Questionar os candidatos é necessário, e cobrar resultados da gestão pública é um dever de cidadania que se segue ao ato de votar. Produzir um eleito é como gerar um filho, e para este dedica-se todo o zelo, seguindo e corrigindo os seus passos, mas não se faz o mesmo com aqueles conduzidos ao poder e sobre os quais cada cidadão tem uma igual e permanente responsabilidade. Porque precisa fiscalizá-los e denunciá-los ao mínimo sinal de desmando. No caso específico dos prefeitos - porque é deles que aqui se trata - isto tem relevância, porque leu-se ontem nos jornais que 20% dos municípios brasileiros apresentam irregularidade graves e 70% irregularidades médias, todas envolvendo corrupção. Os números são da Controladoria Geral da União (CGU). Até dinheiro de merenda escolar é desviado, para mostrar inclusive um aspecto de perversidade de certos governantes.
No momento em que se discute a decisão judicial de validar candidatos com ficha suja, deve-se atentar para o que declarou o ministro da CGU, Jorge Hage, de que um bom advogado não deixa um processo ser concluído em menos de 10 a até 20 anos, assim buscando a caducidade. É muito difícil implantar a moralidade pública com decisões judiciais que contemplam acusados, valendo-se de brechas da lei, e a existência desse sistema que possibilita intermináveis procrastinações - as abomináveis anomalias da legislação brasileira. A lei não deveria ter tanta elasticidade que permita aos poderosos se safarem. Porque, embora as raras punições, esses portais de escapatória beneficiam homens públicos - detentores de poder político e com apoio corporativo - e os que têm dinheiro para bancar defensores caros.
Nesse encadeamento de fórmulas salvadoras adiciona-se agora a restrição ao uso de algemas em presos, a não ser em casos muito específicos, mas a estranha coincidência é que isso ocorreu depois que as imagens públicas mostraram algemados o banqueiro Daniel Dantas, o megainvestidor Naji Nahas e o ex-prefeito Celso Pitta. No caso dos políticos, resta a decisão final do eleitor - e este é também detentor de grande poder. Basta usá-lo.

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