Magos e bruxas do pós-eleição
É hilariante ler e ouvir as justificativas da derrota, por aqueles que perderam eleições. Eles são tão precisos para identificar onde ocorreram as falhas quanto foram cegos em não percebê-las antes. Uma explicação óbvia e convincente seria dizer que perderam porque o eleitor não votou neles com a suficiência necessária para dar-lhes a vitória. É desprezar demais a decisão do povo declarar que determinado esquema falhou, como se esquemas tivessem o poder de manipular consciências em tão larga escala e que a culpa foi a ausência ou a presença do apoio de determinado líder. Supõe-se que políticos imaginam o povo como manada de gado, tocada ao som de berrantes. Se os candidatos não souberam detectar os tais pontos falhos das suas campanhas, imagina-se que não saberiam detectar os pontos falhos no comando da administração pública à qual seriam guindados. Políticos adversários ou velhos caciques que assistem ao largo, no descanso temporário ou definitivo do poder, atribuem virtudes ou culpas por vitórias ou derrotas à presença na campanha de partidários ou de rivais. A não ser casos de coronelismo ainda existentes em alguns rincões da pátria, ou compra de votos numa nação de pobres, o eleitor vota por sua própria escolha, que pode ser puramente emocional ou até em função da beleza física de um candidato, homem ou mulher, porém não por influência desta ou daquela liderança. Um sistema eleitoral mais legítimo seria, numa disputa entre vários concorrentes, o mais votado assumir o cargo e o segundo mais votado ser o vice, na eleição convencional ou num segundo turno. Dessa forma o vice teria legitimidade, porque eleito, o que não ocorre com o vice de chapa, no qual ninguém vota diretamente e nem sequer conhece. Se o sistema de escolha pelo voto direto é o melhor que se inventou para eleger um governante, o processo pode sempre ser aperfeiçoado. Na verdade, muita coisa está por se ajustar na legislação eleitoral e política brasileira, a começar pela reformulação da lei do quociente eleitoral, que é anti-democrática, por eventualmente sufragar um candidato com pouco voto e deixar de fora o que teve mais. Outra anomalia é a designação de igual número de cadeiras no Senado para cada qualquer unidade da Federação, em desprezo pela proporcionalidade dos habitantes. Mas o ponto é que ninguém, a não ser o candidato, é culpado pela sua derrota ou o agente favorecedor de sua vitória. O próprio candidato é que tem a magia de seduzir o eleitor ou a repelência que o afasta. Certo é que simpatias pessoais e repulsas têm grande relevância. Até a forma de falar do político agrada ou incomoda, em certos casos não importando o contéudo do que diga. A periferia política faria bem calando-se, no pós-eleição, ao invés de atribuir vitórias a algum esquema supostamente decisivo e imbatível, ou culpar, pela derrota, a presença de determinado adversário na campanha. Tal exercício é uma prática já enfadonha, mas sempre presente a cada final de eleição.





