O vice-presidente Marco Maciel interveio ontem para evitar que senadores do PMDB e do PFL iniciassem um confronto antes mesmo da instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que vai investigar a emissão e venda de títulos públicos. A pedido de Maciel, o senador Vilson Kleinubing (PFL-SC) mudou o conteúdo e, depois, retirou da pauta de votação no plenário o projeto de resolução que congelaria o dinheiro dos títulos do governo de Santa Catarina.
Ficou claro nas manobras e nas movimentações ocorridas em plenário que ao governo não interessa o confronto entre seus dois maiores aliados. O PMDB e o PFL se desentendem desde o convite feito pelo senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA) ao colega Gilberto Miranda (PMDB-AM) para trocar de partido. Com o crescimento, o PFL preparou-se para disputar a presidência do Senado, cargo que o PMDB quer manter.
Estas brigas atrapalham o projeto do governo federal de promover reformas constitucionais e aprovar a reeleição do presidente da República. Marco Maciel foi seco ao responder sobre a criação de comissão parlamentar de inquérito para investigar o destino dos títulos: ‘‘A CPI foi criada e não me cabe fazer nenhum comentário sobre este assunto.’’ O PMDB já decidiu que o cargo de relator da CPI é seu. Os principais implicados no escândalo dos títulos públicos são do partido.
O PMDB, ao qual pertence o governador de Santa Catarina, Paulo Afonso, estava todo no plenário e já se preparava para derrubar o projeto de resolução de Kleinubing, que pertence ao mesmo partido do vice Marco Maciel. Logo depois de retirar o projeto, Kleinubing disse ao lado do líder do governo Élcio Álvares (PFL-ES): ‘‘Evitamos o confronto.’’ O PMDB teve um aliado inesperado no plenário do Senado: o senador Josaphat Marinho (PFL-BA) deu parecer contrário à proposta de Kleinubing, por considerar que a emissão dos títulos já tinha gerado direitos de terceiros.
O senador por Santa Catarina ainda tentou uma saída. Mudou o projeto, substituindo o congelamento dos títulos pela autorização ao Banco Central para que fiscalizasse se a verba de R$ 604,46 milhões estava mesmo sendo destinada ao pagamento de débitos cobrados na Justiça. De novo Josaphat Marinho deu parecer contrário à aprovação da proposta. Segundo o senador baiano, já foi criada uma CPI e todos os documentos de Kleinubing deveriam ser a ela encaminhados.
A segunda intervenção de Marinho deixou à vista a luta do vice Marco Maciel para que fosse evitado o confronto. Quando o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), solicitou que desse novo parecer, Marinho estava conversando com o líder Élcio Álvares. ‘‘Posso ter um minuto para ler o projeto?’’ indagou Josaphat Marinho, jurista, conhecido por não seguir a orientação de ninguém. O Senado fez silêncio. Marinho pegou o microfone e novamente condenou a proposta de Kleinubing.
O presidente da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, Gilberto Miranda, inscreveu-se para o debate e começou ler ofícios e mais ofícios do Banco Central e do Tribunal de Justiça de Santa Catarina. Fez a defesa pessoal sem que fosse atacado. Em seguida, Kleinubing retirou a proposta que daria ao BC a incumbência de fiscalizar o governador Paulo Afonso.

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