O abuso contra clientes é frequente em toda parte, porque falta à maioria dos prestadores de serviços o respeito e a conscientização, um mal que o jeito brasileiro preserva, por herança cultural que vem desde os tempos de Cabral. A lei da vantagem é prevalecente na maioria dos negócios e envolve pequenos e grandes e gente de todas as classes e credos. Poucos são os que buscam ganhar pela competência, preferindo caminhos mais fáceis.
O mau atendimento está presente nas repartições públicas, pela má vontade, e mesmo no comércio, pela insuficiente qualificação dos atendentes; está inclusive nos escritórios de profissionais liberais. Na área de serviços, como oficinas mecânicas e de eletrodomésticos e eletrônicos, são constantes as queixas sobre má qualidade dos consertos e até danificação de aparelhos, equipamentos e motores. Sem falar dos altos preços cobrados. Por extensão, dos que prestam atendimento a domicílio, poucos escapam das reclamações.
O problema não é apenas do Paraná, mas nacional. Juntam-se, no mais dos casos, o pouco preparo profissional – porque a maioria aprendeu fazendo e não em cursos especializados – e uma certa dose de exploração calculada, porque muitos profissionais imaginam que ganharão mais na enganação do que na qualidade do serviço. Uma anomalia muito presente na mentalidade brasileira.
Na página deste jornal destinada à orientação ao consumidor vê-se como tem sido grande o número de denúncias, algumas aparentemente incorrigíveis, como a do mau atendimento do sistema bancário. As reclamações aumentaram ao invés de diminuir. O Procon faz o que pode, porque é difícil atender plenamente a um universo tão vasto de queixas, contra atividades as mais diversas. O Banco Central limita-se a publicar listas com os nomes dos bancos com mais queixas, mas não toma medidas punitivas, que são as que resolvem.
E se os bancos atendem mal aos clientes, sobretudo por causa das filas demoradas e do desconforto – pois a maioria não disponibiliza cadeiras, nem para os idosos – é nos juros escorchantes e na infinidade de taxas que colocam arbitrariamente na conta do cliente onde reside o maior abuso. E tudo sob a proteção da impunidade.

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