A falta de mão de obra qualificada é uma realidade no Brasil. Faltam trabalhadores em praticamente toda a cadeia produtiva, da produção ao varejo. O desempenho positivo da economia mundial e a inclusão do País na rota do desenvolvimento favoreceram um cenário que há anos não era registrado. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mostram que a taxa de desemprego caiu a 6,7% no ano passado, o menor índice desde 2002.
No entanto, essa carência por trabalhadores revelou um outro dado preocupante: a redução das exigências para formação profissional. Em entrevista à FOLHA, o major-aviador Romualdo Melo, do Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Seripa V), afirmou que houve redução da exigência de 1,5 mil horas de voo de treinamento para apenas 250 horas. Os números apontam uma queda de 83% de horas de voo para tornar os pilotos aptos.
Embora o major-aviador não faça uma relação direta entre essa redução de treinamento e o aumento de acidentes aéreos é no mínimo coincidente que isso tenha acontecido. Dados do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos mostram que em dez anos a quantidade de acidentes aumentou quase 79%. Em 2000 foram 57 acidentes com o registro de 63 mortes; no ano passado foram 102 desastres com 37 vítimas fatais.
O que é importante observar nesse quadro é que não dá para suprir a falta de mão de obra com falhas na formação de pilotos. Não pode haver relaxamento na capacitação desses profissionais que, diariamente, lidam com o transporte de vidas. O que se pode claramente perceber é que agora o Brasil está pagando o preço da falta histórica de investimentos em educação. Além de ter que lidar frequentemente com o ''caos aéreo'', a população que necessita desse tipo de transporte não pode continuar exposta à falta básica da formação profissional.

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