Luz nada solidária e poderes sem sincronia
O poder público apregoa a campanha da luz solidária mas não mostra esta solidariedade ao cortar a luz e a água de moradores do Jardim União da Vitória, que se compõe de três nomes superlativos mas é um assentamento pobre, em Londrina. Tal acontece por outra mazela do mesmo poder, no caso Copel/Sanepar/Cohab, que não se sincronizam e por isso as casas e barracos não são regularizados, e daí a punição com os cortes. Óbvio que há ligações clandestinas, mas esta é uma luta pela sobrevivência, tratando-se de população tão carente, e mais que isto um direito à energia elétrica e à água de beber. E (outra razão dos cortes) não poder pagar a conta não é um delito. Se cobrir esse encargo deverá ser um ônus da sociedade, então que se adicione mais este. Como fica a menina Camile, de 2 anos citada em reportagem deste Jornal sobre o problema que tem bronquite alérgica e necessita do aparelho de inalação? Uma pergunta que as autoridades precisam responder. A água cortada não tem dia para voltar. Fazer isto é uma barbaridade. Mas claro, há uma saída, como saiu no Jornal: a Copel mandar o reclamante dirigir-se à ouvidoria ou às agências da empresa. Para que? A informação já está dada publicamente e não há que ouvir mais nada. A reportagem mostra que esses problemas na localidade se transformaram num círculo vicioso. Sem a regularização de parte da Companhia de Habitação de Londrina não há autorização para instalação da água e da luz. Veja-se que os poderes não conseguem solucionar um probleminha destes, mas geram um problemão. As autoridades parecem nunca imaginar que causas não resolvidas vão chegando a pontos de exaustão, e se muitos moradores não regularizam sua situação é porque Copel/Sanepar/Cohab ficam fazendo jogo de empurra. E se, ademais, os moradores do bairro não conseguem pagar as contas é porque não têm emprego e renda condizente e porque sofrem os males de muitos desajustes. Mas não se admite desajuste de entendimento entre aqueles órgãos. Se há ligações irregulares, os cortadores de água e luz também agem de forma sorrateira e insensata, ao cortar o direito a esses bens, que são direito de todos. Impedir que as donas-de-casa cozinhem, lavem suas roupas, dêem banho nos filhos, por privação da água é uma perversidade. Praticada pelo poder público. A lei não pode ser igual para todos, e essa gente sem recursos não pode ser punida dessa forma, por ser pobre.





