Hospitais filantrópicos de todo o País paralisaram parte das atividades ontem. O manifesto, intitulado "Luto pela Saúde", teve por objetivo cobrar soluções do governo federal para a crise pela qual passa o setor. Cálculos do segmento indicam que a dívida das Santas Casas do Brasil chega a R$ 15 bilhões. Os hospitais filantrópicos são responsáveis por 50% dos atendimentos e por 70% dos procedimentos de alta complexidade do Sistema Único de Saúde (SUS) no País. Em Londrina, a Santa Casa e o Hospital Evangélico aderiram à manifestação e suspenderam o atendimento eletivo.
O protesto das entidades reflete claramente o caos instalado na saúde pública do País e indica que não atinge apenas os usuários. A população que depende do atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS) frequentemente tem que esperar horas por uma consulta médica, meses e até anos por exames e procedimentos eletivos. Além disso, imagens Brasil afora se repetem: pessoas morrem nas portas dos hospitais à espera de atendimento.
E, quando os estabelecimentos de saúde divulgam os valores de suas dívidas, acumuladas, segundo eles, pela defasagem da tabela paga pelo SUS, a população pode claramente perceber que a crise da saúde brasileira está longe do fim e que a sua solução não depende apenas de mais médicos para atendimento básico. É claro que ter mais profissionais à disposição da população é importante porque garante agilidade ao atendimento, mas é preciso fazer mais. E, o pior: tudo indica que não tem sido feito.
Portanto, é importante que a opinião pública passe a cobrar mais investimentos públicos na saúde. Quando a população reivindicar mais constantemente seus direitos e exigir o retorno dos impostos na qualidade dos serviços públicos, talvez os governantes passem a dedicar mais atenção aos problemas enfrentados diariamente pelos brasileiros, principalmente, a população mais carente.

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