Em ano eleitoral, não se esperava outra decisão dos deputados estaduais do Paraná senão a aprovação do salário mínimo regional de R$ 437 – R$ 87 a mais que o valor do mínimo nacional. Haverá uma segunda votação, mas a soma de votos favoráveis deverá ser ainda superior, porque os ausentes já se manifestaram pelo sim. Duas emendas poderão ser aprovadas: a que prevê um aumento real de 7% ao ano, por 12 anos consecutivos, até se chegar ao valor de R$ 1,4 mil, que é o defendido há muito tempo pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos; e a de estender o novo salário também para os servidores públicos. (Logo após a aprovação de sua proposta do novo mínimo o governador Roberto Requião enviou à Assembléia projeto de lei propondo o piso de R$ 580 para os servidores que trabalham 40 horas por semana). A aprovação dos R$ 437 gerou protestos de classes patronais, que acenam com possibilidade de demissões, porque a situação das empresas e dos empregadores do campo não é favorável a aumentos de carga na folha de pagamentos. A nova realidade está posta, e agora será preciso bom senso de parte de quem emprega, para não agravar-se ainda mais a crise do desemprego no Paraná. Se a isto se dá o nome de cota de sacrifício – em meio às tantas que sobrecarregam a cadeia produtora e dos serviços – será necessário mais esta, se existe de fato a vontade de favorecer a causa do emprego. É certo que o aumento de apenas R$ 87 será relevante para o movimento econômico do Estado, porque será dinheiro novo entrando todos os meses no fluxo do consumo. A luta que os empresários precisam travar doravante, com a participação inclusive dos próprios deputados estaduais, deve desprezar medidas como as demissões e mobilizar o Congresso Nacional para a diminuição da carga tributária que sufoca as empresas, assim como o abrandamento dos encargos sobre o salário. Porque estas sim seriam medidas favorecedoras do aumento de empregos. A elevação de salários é inevitável e não se deverá lutar contra isso, porque os índices no geral (e não apenas do mínimo) são baixos. Uma nação que se quer democrática não pode crer que baixos ganhos pelo trabalho irão predominar para sempre. O que precisa ser mudado é o sistema tributário, que tange os segmentos empregadores, descapitalizando-os e inibindo novas contratações, da mesma forma que é preciso reformular a legislação trabalhista. No bojo das impropriedades, é um descalabro que o Governo cobre das empresas o dobro de cada salário, quando esse dinheiro poderia robustecer as reservas do setor produtivo – possibilitando mais abertura de vagas de trabalho – ou compor o próprio salário.

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