A ameaça de perder tudo o que construiu é real para milhares de brasileiros que investiram tempo e muito dinheiro no Paraguai. Os chamados brasiguaios deram verdadeiro incremento na produção agrícola daquele país, elevando os níveis da produção, e agora lutam contra a possibilidade de terem de deixar as terras diante de decisões judiciais no mínimo duvidosas. Uma disputa desigual, pois não encontram apoio explícito no governo brasileiro.
O Paraguai é hoje o quarto maior exportador mundial de soja - perde apenas para Estados Unidos, Brasil e Argentina. E neste ano a previsão é de que sejam colhidas cerca de oito milhões de toneladas. Os resultados positivos se deram não pelo aumento de áreas de plantio, mas pelo investimento maciço em tecnologia que aumentam a produtividade. Uma ação direta dos brasiguaios que desbravaram a região.
Os brasileiros e descendentes são responsáveis por mais da metade da produção agrícola paraguaia, o que tem causado tensão na região e aumentado os conflitos. Na fronteira com Mato Grosso do Sul, famílias foram expulsas das terras e ficaram em assentamento no Brasil.
A reportagem da FOLHA esteve no Distrito de Santa Rita, município localizado no Departamento de Alto Paraná. O resultado da viagem pode ser conferido na edição de hoje.
Os brasileiros têm sofrido com a corrupção em vários níveis naquele país. Algumas decisões da Justiça local teriam sido baseadas em documentos com valor legal discutível, por exemplo. Além disso, no ano em que o Paraguai comemora 200 anos de independência o patriotismo está em alta. A equação aumenta a insegurança dos brasiguaios.
Apesar de afirmar que está interferindo nos conflitos entre brasileiros e paraguaios, o governo do Paraguai nitidamente está falhando. E o pior, a movimentação da diplomacia brasileira para a solução do problema é lenta e pouco eficiente. A situação merece maior atenção do governo do Brasil, antes que saia controle.

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