Lula rejeitando dar mais verba para saúde
O presidente Lula, que chegou ao poder máximo da República à sombra da bandeira populista do PT - sigla que, se os governantes sediados no Palácio do Planalto esqueceram, quer dizer Partido dos Trabalhadores - agora quer barrar verbas para a saúde e para os inativos. Ele pretende cobrar dos líderes dos partidos de sua base aliada uma ofensiva para que a Câmara não aprove o pacote de medidas favoráveis àqueles dois itens e que já passou pela aprovação do Senado. O argumento é que esse dispêndio de mais dinheiro pode causar ''prejuízo para os cofres da União''.
Não se sabia desse novo conceito de prejuízo e não se imaginava que quizesse dizer aplicação em saúde pública. Se isto representa uma perda para as burras do Governo, abarrotadas de dinheiro para atender ao estoque de caixa, então o lucro (anverso de prejuízo) deve ser a destinação de verbas para os mordomias governamentais, viagens presidenciais contínuas de baixo proveito, superfaturamentos de obras, propinas em forma de mensalões, elevados salários dos agentes públicos, nos três Poderes, enfim o alto custo da máquina administrativa. Lula não quer destinar mais dinheiro para a saúde e nem estender aos inativos o reajuste do salário mínimo. Neste último caso, se a restrição fosse para as aposentadorias milionárias, que só contemplam gente da esfera oficial, ainda se justificaria essa reação do guardião das chaves do Tesouro. Quanto à saúde, nem é necessário contra-argumentar nada, pois todos sabem das filas de doentes esperando vez para cirurgias, por via do Sistema Único de Saúde - e muitos morrem antes do atendimento - e do pouco que médicos e hospitais recebem por via desse modelo. É uma barbaridade o Governo dispor de tanta verba e pessoas carentes sofrendo e morrendo por tão precário serviço de sáude, cujo padrão se equipara (no caso desse serviço público) ao dos países mais subdesenvolvidos do mundo.
Os números daquela reserva do Tesouro, bastante elevados, são das próprias fontes oficiais, e nem será preciso fazer muita conta para saber-se quanto o Governo federal arrecada, pois abocanha mais de 60% de toda a receita tributária que se recolhe no País. O argumento do Presidente é que ''com essas despesas extras a União não tem de onde tirar mais recursos''. Quanto a isto, até certo ponto ele está certo porque há muito dinheiro empenhado naqueles esbanjamentos citados. Mas se ''não há onde tirar'' - e isto é também algo falso - há muito onde economizar, e se isso fosse feito resolveria a equação governamental. Chega a ser ofensivo aos cidadãos ouvir isso, porque, removendo-se os entulhos que consomem grandes somas de dinheiro, o Governo poderia proporcionar ao povo atendimento de saúde de primeiro mundo.





