O povo com toda a certeza não se comove com a mágoa do presidente Lula - um sentimento que ele disse ter - por perder o dinheiro da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), criada para atender à saúde pública. Mais magoados ficaram os muitos doentes pobres não atendidos, mesmo com a volumosa soma de dinheiro que saía do bolso do contribuinte e não era inteiramente destinada àquela causa.
E mais aborrecidos e ofendidos ficam os cidadãos quando o Presidente anuncia que quer criar uma nova fonte tributária justamente com a mesma proposta do imposto que existia. Se a receita da CPMF atendia mal, difícil crer que o retorno de um tributo idêntico iria atender melhor. Ele diz que com esse dinheiro poderia ''montar uma lei só para a saúde'', mas nada impede que isto possa ser feito agora. Quanto aos recursos, o Tesouro só em parte diminuiu a arrecadação - porque houve queda em alguns setores e crescimento em outros.
O orçamento da União pode ampliar a dotação da verba para a saúde, bastando tirá-la de onde há desperdício no oneroso custo da máquina pública. Tem razão o Presidente ao dizer que não viu nenhum empresário cortar os 0,38% sobre os produtos ao deixar de recolher a CPMF. Mas com a carga tributária já tão elevada as empresas no geral não vivem na abastança, porém em contínuas dificuldades para manter-se, garantir empregos e dar conta dos muitos impostos. Talvez Lula imagine que toda a população seja mal informada em comparar que na Suécia, na Bélgica e na Dinamarca a tributação beira os 50% do PIB, mas não diz que lá o dinheiro dos impostos é bem aplicado, retornando em benefício do povo, sem mordomias e roubalheiras. Não é o porcentual citado que importa tanto, mas a destinação do dinheiro arrecadado que nos países mencionados e em outros mais reverte para a melhoria da qualidade dos serviços públicos e do índice de desenvolimento humano. Lula deveria aproveitar suas tantas viagens para fora do País e observar as coisas por inteiro e delas tirar lições.
Não se pode pensar em mais sangria tributária para custear a saúde pública se hoje, para atender aos serviços essenciais, mas também à farra pública, cada brasileiro tem de destinar todo o ganho de quase seis meses/ano de seu trabalho para pagar impostos; e se o Senado (citado, de passagem, porque envolto em novo escândalo de corrupção) consome R$ 2,7 bilhões do orçamento anual para atender a 81 senadores. E estas são apenas facetas do gigantesco festival de mordomias que assolam a República.
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