A eleição do petista Arlindo Chinaglia para a presidência da Câmara Federal repõe o PT no comando do Legislativo e reforça o poder do partido no governo da nação. Porque, pela força política que o cargo enfeixa, o Palácio do Planalto tem agora muitos ventos a favor. Isto aumenta a responsabilidade do presidente Lula, porque contará com a facilitação do encaminhamento de seus projetos e medidas provisórias e com as prioridades que desejar. Como irá se comportar o Congresso nestes quatro anos do segundo mandato presidencial, é uma questão que dependerá de hábeis negociações e naturalmente de concessões - mesmo com seu forte aliado PMDB - mas é certo que uma porta mais ampla se abriu ao presidente Lula.
É consenso que a decisão de ontem da Câmara foi a pior esperada, porque Chinaglia compõe a linha mais liberadora de favores dentro da Casa, e talvez por isso a sua vitória. Não faltam os que alertam para o fato de ele ser o primeiro homem depois do vice-presidente - no caso José Alencar, que está doente - e neste país onde alguns vices já assumiram, é de esperar-se tudo. Se o PT desejava poderes mais elásticos, três anos depois de estar no comando da Câmara com João Paulo Cunha, agora isto se consolida, porque Chinaglia - que é do partido do Governo - será agora o articulador e intermediador junto aos seus 512 pares. Habilidades e astúcias não lhe faltam. Inclusive para barrar tudo o que for possível contra o companheiro José Dirceu. Há uma certa semelhança nos meneios políticos de ambos.
Se vivêssemos um Governo pleno de grandes projetos para a nação, seria muito vantajoso ter um presidente da Câmara disposto a submeter tudo rapidamente à votação, mas esse formidável Governo não temos. Com um bom negociador no Parlamento, boas propostas governamentais têm trânsito mais livre - o que pode ocorrer tendo Chinaglia no ponto mais alto do pódio - mas o que se teme é que essas tais boas propostas não ocorram em grande profusão. Porque se nada tão relevante aconteceu nos primeiros quatro anos deste Governo, estando no comando da Câmara, por certo tempo do Governo Lula, o campanheiro João Paulo, depois Severino Cavalcanti e até ontem Aldo Rebelo - todos governistas - não se crê em algo de extraordinário no segundo mandato. Tudo dependerá muito, agora, do proveito útil - entenda-se para a nação - que o presidente Lula irá tirar do reforço político que ontem lhe foi outorgado, por via da eleição do parceiro e partidário Arlindo Chinaglia.

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