O presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, passou boa parte da campanha eleitoral tentando provar a sinceridade de suas promessas e da opção do seu partido, de conversão ao centro do espectro político. Já naquela época, Lula dizia que faria um governo mais amplo do que o PT e do que a própria esquerda. Foi esse discurso, incansavelmente repetido, que reduziu a resistência do eleitorado, então refratário ao seu nome.
Anunciados os primeiros integrantes do ministério, justamente os que farão parte da equipe econômica, a surpresa foi grande. Menos pelos indicados, todos respeitados de forma individual, e mais pelo fato de Lula tê-los chamado para o governo. Dito de outra forma: surpresa foi ver Lula cumprir os compromissos de campanha, sinal de que, mesmo com a consagração das urnas, ainda se desconfiava das reais intenções do novo presidente.
Até aqui, Lula tem sido fiel às suas promessas. Petista próximo ao presidente eleito garante que Lula não está mesmo preocupado em dar qualquer caráter ideológico ao seu governo governo. ''O que ele quer é resolver os problemas do país'', diz ele. A escolha do ministério, aliás, até lembra o estilo do presidente do México, Vicente Fox, que selecionou parte da equipe por meio do currículo profissional. Lula colocou uma ambientalista no Ministério do Meio Ambiente, um banqueiro no Banco Central, um agricultor na Agricultura, um industrial no Desenvolvimento e deve indicar ainda um professor para a Educação (Cristovam Buarque), um advogado para a Justiça (Márcio Thomaz Bastos), entre outros técnicos, com filiação partidária ou não.
Também no plano político, Lula tem seguido à risca o que dizia. Fechadas as urnas, o PT tratou de buscar no Congresso alianças com os partidos de esquerda para construção base de apoio parlamentar. Pescou, inclusive, à direita, com o PTB. E tenta atrair o PMDB. Pode-se criticar a conveniência da aproximação com os peemedebistas adversários, que perderam com José Serra, mas o presidente eleito está fazendo o que se temia que não fizesse - garantir a governabilidade.
O ministério de Lula não tem mesmo a cara do PT. Seus críticos acreditam que, com os perfis dos escolhidos, seja difícil colocar em prática os programas de governo do partido e do candidato e, principalmente, cumprir as promessas de mudanças. Essas dúvidas serão respondidas pelo tempo. Até agora, para o bem ou para o mal, Lula fez o que prometeu.
Arlete Salvador é jornalista em Brasília

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