Influente publicação britânica fez uma lista de 50 personalidades globais que fariam a diferença como contribuidoras para afastar a crise financeira que abala o mundo, e o presidente brasileiro não figura nela. Nesse rol estão Obama em primeiro lugar, depois Wen Jiabao, Angela Merkel, Nicolas Sarkozy, Gordon Brown e Vladimir Putin. Mas Lula será recebido hoje pelo presidente Barack Obama na Casa Branca. Com apenas 50 dias de governo, o presidente norte-americano lhe dá essa importância e isto não deixa de ser uma deferência ao Brasil, considerando a razão principal do encontro.
O tema é a questão conflituosa de Cuba e Venezuela com os Estados Unidos, e o fato de o presidente do Brasil ser um intermediador no caso lhe confere um status de líder da América Latina. John Kennedy já havia dito que para onde pendesse o Brasil penderiam todos os povos sul-americanos, e se Obama quis conversar com Lula e reservou um horário em pleno sábado, deve ter suas razões.
O presidente Hugo Chávez, ferrenho adversário dos EUA, concordou que o presidente brasileiro desempenhe este papel de interlocutor, em questões venezuelanas. Se as tensões entre a Venezuela e os Estados Unidos são ideológicas, os americanos são grandes compradores de petróleo venezuelano, e dólares não têm partido. Imagina-se que a questão das alternativas energéticas acabe entrando na pauta da conversa. Obama é um defensor do etanol americano à base de milho, um indicativo de que pensa em autossuficiência, sem necessidade de, eventualmente, importar bioenergéticos brasileiros. Se a publicação inglesa exclui Lula de sua lista, comete uma imprudência (por desinformação, talvez) ao ignorar o Brasil, que é um país de importância estratégica na produção de alimentos, com capacidade instalada e potencial para abastecer o mundo com expressivo volume. E isto tem a ver com a busca de eliminação da crise. Obama tem pressa e quer eliminar pontos de conflito com os EUA, porque ao lado da inesperada crise financeira - o grande problema mundial do momento - as questões de relacionamento entre as nações são de relevância constante, sobretudo tratando-se das potências adversárias, que são desafiadoras.
Eleito como intermediador inicial nos impasses com Cuba e Venezuela (e os assuntos de hoje, certamente, irão focalizar também outras questões não pautadas, especialmente sobre a América Latina), Lula parece despontar como ponto de referência do novo governo norte-americano em demarches para uma unificação mais consistente das Américas em torno de ideais comuns. Obama já demonstrou preocupação com as nações ao sul do continente e deseja o fortalecimento desta parte do bloco continental.

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