Lula e PMDB plasmando próximo Governo
Analistas políticos estimam que, em face dos escândalos da corrupção, o eleitorado tenderá a renovar em 62% a próxima composição da Câmara Federal, e o partido que sairá na dianteira será o PMDB, com o maior número de deputados: entre 80 e 110. Como esta agremiação partidária já decidiu que não lançará candidato à Presidência e apoiará a candidatura Lula, o Governo a confirmar-se o indicativo das pesquisas terá esse perfil a partir de 2007, com o atual Presidente reconduzido ao cargo e o PMDB sendo o partido majoritário na Casa (e governista), ao lado de um PT enfraquecido, que deverá eleger entre 45 e 75 deputados, contra 91 da eleição passada. O PMDB, que se valeu do oportunismo de apoiar um candidato já tido como reeleito são 48% das preferências pró-Lula, contra 19% de Geraldo Alckmin será portanto o grande partido no poder, subtraindo a hegemonia petista, mesmo tendo seu membro mais expressivo sentado no trono presidencial. Se isto será bom para a nação, só os dias futuros dirão. Se Alckmin não deslanchar, seu PSDB e mais o PFL que o apoia formarão a linha de oposição, como já acontece hoje. Juntas, as duas facções deverão somar em torno de 150 parlamentares na Câmara. A corrupção, que não serve para nada a não ser para os beneficiados e para ofuscar ainda mais a imagem do Parlamento, terá servido ao menos para esse aceno de renovação do corpo parlamentar. E, faltando três meses e meio para a eleição, o favoritismo de Lula parece consolidado, porque não há vislumbre de uma surpresa que venha a alterar o quadro, podendo ocorrer de a distância entre os dois principais candidatos ainda aumentar. Alckmin decolou mas voa baixo, parecendo sem empuxe para subir. E o candidato-presidente, que joga com o poder da máquina e distribui benesses para as camadas sociais pobres, tem nesse reduto um forte sustentáculo. O virtual sucessor dele mesmo tem pela frente o ônus gerado pela sua própria má gestão, e mais uma dívida interna de R$ 1 trilhão (alimentada pelos juros pertinentes), uma nação aterrorizada pela insegurança, grandes bolsões de miséria envolvendo 1/4 da população, desemprego e baixa perspectiva de isto mudar para melhor, agricultura semi-falida, máquina pública onerada por pesado custo, corrupção correndo solta porque não cessa e faz parte de um estigma da administração pública brasileira e muita indignação dos cidadãos, que diante de todos esses descalabros precisa trabalhar quase cinco meses ao ano só para pagar impostos. Este o quadro sinistro que se desenha. Carga pesada demais no lombo do povo, que talvez por isso busca refúgio nas emoções do futebol.





