O dólar pode fechar o ano a R$ 2,80, já projetam relatórios internos de instituições financeiras que operam no Brasil. Depois de desvalorização do real superior a 60% no ano, tudo indica que a moeda brasileira poderá se recuperar rapidamente depois das eleições desse domingo.
O fato é que a chamada aversão ao risco desse novo Brasil de esquerda começa a ceder. Uma das razões seria o compromisso do provável governo petista em manter uma política fiscal austera para equilibrar as contas do País.
Também teria caído bem o anúncio, feito pela coordenação de Luiz Inácio Lula da Silva, de que a equipe econômica não vai renegociar as dívidas de Estados e municípios tão já, preservando o combalido caixa federal.
A moderação demonstrada pelo PT estaria revertendo as expectativas do mercado internacional, é a explicação. Mas teria mesmo mudado a percepção dos mercados em relação à gestão econômica do PT ou banqueiros e investidores começam a se render à evidência de que o tucanato, tão caro a eles nos últimos anos, terá que desocupar o Poder?
Enquanto puderam, durante a campanha eleitoral, os mercados desafiaram a economia brasileira, especulando contra o real, pressionando a inflação, produzindo um cenário de medo. Bastava José Serra subir nas pesquisas para o dólar cair, a bolsa subir, a paz reinar. Mas era só alguma ameaça pairar sobre o candidato da situação para o quadro financeiro se deteriorar.
Apesar do recado direto, a estratégia não foi só eleitoral. Rendeu ganhos monumentais a meia dúzia de investidores, ficou evidente. Mas, como indicam todas as pesquisas, fracassou no sentido de levar Serra à Presidência e manter a política econômica com a chancela FHC.
Agora, o que a precoce reversão de expectativas revela é que o investidor externo está longe de empreender uma debandada do País com a chegada da esquerda ao Poder, um discurso frequente nos últimos anos. Ao contrário, mostra-se pronto para atuar no Brasil que vem aí, potencialmente interessante sob o governo que for.

mockup