Lula e a dívida de FHC
O compromisso do candidato petista à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva, de honrar as dívidas contraídas pelo governo Fernando Henrique Cardoso em seus oito anos de farto endividamento foi nitidamente forçado pelo mercado nestas últimas semanas de indicadores em surto. Por mercado entenda-se os grandes bancos e investidores, habituados a jogar pesado para influenciar diretamente na definição da política econômica brasileira, como taxa de juros e política cambial.
Pois bem. Lula cedeu e assumiu publicamente a intenção de pagar as dívidas feitas pela equipe tucana nestes dois mandatos em que o País assistiu o seu passivo explodir. A dívida gigante de quase R$ 700 bilhões já seria uma herança maldita, capaz de atar as mãos de qualquer governo por um bom período de sua gestão. Mais do que administrar esse rombo no caixa, o mercado espera mais, muito mais, do novo presidente: quer que ele dê garantias plenas de estabilidade, na mais exata tradução do termo. Quer que Lula mantenha tudo como está, sem tirar nem pôr.
O compromisso de Lula cai bem para quem vem ganhando. Mas pode soar estranho para quem está perdendo a grande maioria da população brasileira, a quem caberá o pagamento da dívida sem controle pela via dos juros extorsivos, da moeda depreciada, da economia arrochada. Anunciar o calote da dívida seria temerário, naturalmente. Mas comprometer-se a dar continuidade a uma política econômica e financeira suicida também beira o insensato. Ciro Gomes (PPS), opositor de Lula à sucessão de Fernando Henrique, acha que o petista engoliu a isca ao assumir as amarras do governo tucano e se rendeu à idéia de que poderá subverter as resistências que o PT sofre nos setores da burguesia financeira internacional.
Rendeu-se e não agradou. Insaciável, agora o mercado quer o anúncio antecipado da equipe econômica de um eventual governo petista, exige o nome do novo xerife do Banco Central, pede detalhes de uma administração que parece ter que começar antes mesmo de ser eleita. E se o mercado não se acalmar nas próximas semanas, o culpado já tem nome e sigla: é Lula e o PT.





