A temporada de acusações e contra-acusações vai se afunilando, num verdadeiro salve-se-quem-puder, agora trazendo à cena outros enfoques do escândalo da corrupção. O presidente Lula e José Dirceu, que proclamavam mútua ''fidelidade canina'', entram em rota de colisão, porque o ex-ministro diz que seu chefe sabia de tudo. Isto promete capítulos reveladores nessa novela de 16 semanas, que vai narrando novas histórias de vergonhas envolvendo o Governo petista, parlamentares, empresas e instituições. E enquanto isso ocorre, o fim do silêncio chega também a Londrina e encurrala o deputado federal José Janene, porque seu ex-pupilo Eduardo Alonso resolve reaparecer no cenário depois de 4 anos longe da cidade e de boca fechada e declara que vai contar coisas. Alonso era diretor-financeiro da extinta Companhia Municipal de Urbanização-Comurb e figurava entre os mebros do grupo fechado de Janene, tendo sido também coordenador de suas campanhas. Situava-se nesse núcleo de poder a vertente que desembocaria nas denúncias de corrupção na administração de Antonio Belinati, nos últimos dois mandatos do então prefeito. Agora Eduardo Alonso, réu confesso no caso e desfrutando do benefício da delação premiada, acusa o deputado de pagar mesadas mensais individuais de R$ 5 mil a pelo menos 11 dos 21 vereadores que compunham a Câmara Municipal, em 1997, de forma a robustecer a base aliada de Belinati. Isto abala também os alicerces da Casa, pois deverá trazer nomes à baila, e, a essa altura, tais vereadores devem estar com as barbas de molho. O mensalão revelado pelo deputado Roberto Jefferson, portanto, seria um modelo adiantado deste agora anunciado, pois Janene é apontado (por Jefferson) como operador do esquema do mensalão na Câmara Federal. No processo de Londrina estão envolvidas 53 pessoas, mas ainda não houve condenações. E é oportuno citar, para não perder a oportunidade, que também se fecha o cerco contra o ministro Antonio Palocci, pela presença de novas testemunhas-chave no caso da empreiteira Leão Leão, já havendo quem afirme que o superministro é ''promissória de 30 a 60 dias''. O caso Janene naturalmente desperta mais as atenções regionais, pelo fato de o deputado ser eleito por Londrina e estar envolvido por denúncias locais e nacionais: o processo conhecido como AMA-Comurb e agora a denúncia da mesada ao vereadores, e o mensalão de Brasília, conforma a acusação de Roberto Jefferson. Com todos esses novos episódios, o noticiário terá abastecimento por muitos dias ainda, mas é certo que a opinião pública já está farta e enojada. E não acredita em inocentes.

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