Lula defende aliança com PMDB nas disputas estaduais
Brasília - Os acenos da cúpula do PT na direção do PMDB têm vários alvos. O principal deles é o governador de Minas Gerais, Itamar Franco, com quem o presidente do PT, José Dirceu, se encontra hoje em São Paulo. Mas o provável candidato do PT à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva, acha que o apoio de Itamar, apesar de importante, não basta. Ele insiste na construção de palanques que ultrapassem as fronteiras da esquerda em outros Estados, como São Paulo.
Uma ala comandada por Lula costura a aliança com o PMDB paulista ainda no primeiro turno. Estamos, realmente, conversando sobre esta possibilidade, confirma o ex-governador Orestes Quércia, presidente estadual do partido. O deputado José Genoíno (SP), candidato do PT ao governo de São Paulo, sustenta que não há nada definido. Falo com todo mundo, diz. Parece contrariado.
O acordo não é nada fácil. Nos bastidores, dirigentes do PT contam que tentam articular uma chapa com um peemedebista para vice de Genoíno. Mas querem esconder Quércia do palanque. O cenário ideal, para eles, seria fechar uma coligação na qual o ex-governador não aparecesse na chapa majoritária. Para tanto, não poderia ser candidato ao Senado, mas, sim, a deputado federal.
No PMDB, o mais citado para a dobradinha com Genoíno é o deputado Lamartine Posella (SP). Evangélico, Posella já concorreu a vice: foi em 2000, quando o senador Romeu Tuma (PFL-SP) disputou a Prefeitura.
Acusado de corrupção por petistas durante anos e anos, Quércia agora tem diálogo frequente nesta seara. Na Prefeitura, a bancada do PMDB ajudou Marta Suplicy a aprovar o projeto que estabeleceu a progressividade da alíquota do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU). Não esquecemos as divergências, mas o PMDB não é Quércia, argumenta Lula. Na oposição ao governo federal, Quércia diz não ter problemas de relacionamento com os petistas. Política é conversa, resume.





