Lula critica FHC e crê na vitória
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sábado, 23 de março de 2002
Jô Pasquatto Agência Estado 
Em discurso de cerca de meia hora realizado ontem, o candidato do PT à presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva, criticou o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso, falou sobre a sensação incômoda de ser visto como o candidato natural do partido, destacou a contribuição da prévia para a escolha do candidato e terminou afirmando que tem a convicção da vitória.
Em nenhum momento, nem em 1989 tive tanta convicção de que posso ganhar a eleição como em 2002, afirmou. Ele lembrou que tem duas datas de nascimento, coincidentemente o primeiro e o segundo turno das eleições, em 6 e 27 de outubro. Espero ganhar muitos presentes na primeira data mas todos os presentes que não ganhar no dia 6 espero ganhar no dia 27, disse Lula.
Durante seu discurso, Lula afirmou que não há, entre as pré-candiaturas, nenhuma melhor do que a dele. Não tem nenhum candidato melhor do que eu, nenhum é melhor qualificado para dirigir esse País do que eu, pode ter igual, melhor não, afirmou.
Lula também criticou a quantidade de viagens realizadas pelo presidente Fernando Henrique Cardoso. Em sete anos de mandato foram 341 dias de viagens, foi mais do que o Papa em 23 anos. Se ele cuidasse da barriga do povo como cuida de sua imagem já teríamos chegado ao primeiro mundo, disse. Ele também criticou o protecionismo dos Estados Unidos, que sobretaxou o aço brasileiro por falta de atitude do governo brasileiro.
AliançasO presidente do partido, deputado José Dirceu (SP), ressaltou que o debate sobre a aliança é um imperativo, uma necessidade democrática; o PT precisa ter aliança.
Dirceu admitiu que existe forte resistência interna, sobretudo com relação ao PL. No Encontro Nacional que o PT realizou em dezembro, uma emenda que previa proibição de coligação com o PL foi votada e derrubada. A emenda sustentava a rejeição ao Partido Liberal sob o argumento de que um governo que venha para mudar o País deve ser representativo das forças e partidos comprometidos com as transformações reais da economia.
O presidente do PT acentuou que a direção nacional autorizou negociar e dialogar porque não acertamos aliança nenhuma com o programa e o candidato; quando Serra vai falar com Orestes Quércia é aplaudido, e quando manda recados para Paulo Maluf também é elogiado.
Segundo Dirceu, o PT precisa de alianças não para disputar a eleição, mas para governar porque ninguém governa com um partido só; a aliança não compromete o programa e nem muda o candidato, que é o Lula.


