Brasília Se havia alguma dúvida quanto ao dono da palavra final sobre a escolha do ministério do futuro governo, não há mais, sustentavam na sexta-feira petistas e aliados políticos do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva. Quem nomeia e quem decide é ele mesmo, o presidente. Pelo menos nesta fase pré-governo, Lula decidiu exercer o presidencialismo de fato, com todas as vantagens e riscos que essas decisões podem representar. Os mesmos que se surpreenderam com a decisão firme do presidente eleito na composição do ministério buscam identificar a marca que Lula vai imprimir a partir de 1º de janeiro no comando do País. O estilo centralizador fica, a cada dia, mais forte e evidente.

''O sistema de governo é presidencialista. Quem nomeia ministro é o presidente'', disse recentemente o presidente eleito em uma reunião com integrantes do núcleo político do PT. Em outra reunião mais ampla, com mais de cem prefeitos do seu partido, semana passada, Lula repetiu várias vezes: ''O ministério não será aparelho partidário.''

Nem do PT nem dos partidos aliados, ficou mais claro no seu pronunciamento de sexta-feira, quando anunciou novos ministros, e excluiu o PMDB da sua equipe. Para fazer valer suas decisões, Lula não tem poupado de constrangimentos nem auxiliares de primeira linha. A senha de que vai continuar adotando essa política ao pé da letra ficou evidente depois que ele submeteu José Dirceu a um desconforto público, ao rejeitar a lista de cinco nomes do PMDB levada até ele por seu futuro ministro-chefe da Casa Civil.

Se fez isso com o homem que já foi apontado como seu braço direito, o ''homem forte'' do governo do PT, ninguém duvida de que vai repetir a dose sempre que julgar necessário.

Representantes do núcleo mais próximo de Lula têm sofrido nas mãos do presidente eleito. Além de Dirceu, o novo presidente do PT, José Genoino que também frequentou a lista de superpoderosos do governo petista viveu situação inimaginável antes de ser alçado ao posto atual: perambulou por todos os cantos da equipe de transição e por onde passava Lula à espera de um convite para o ministério. Convite que nunca veio.

Lula tem surpreendido o próprio PT com sua dureza nas negociações. Nos últimos dias José Dirceu disse a mais de uma dezena de políticos que estava em situação difícil. Tudo porque negociava com os dirigentes partidários os nomes para os ministérios, mas quase nunca agrada a Lula. Na posição de intermediário entre os partidos e o presidente, foram inúmeras as vezes que voltou aos interlocutores de mãos abanando: ''Nada feito. Vamos a novos nomes.'' Isso causava irritação nas duas pontas da negociação. Há cerca de 15 dias havia petistas prevendo que Dirceu teria um colapso nervoso.

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