O presidente Luiz Inácio Lula da Silva está mesmo certo de que elegerá seu sucessor. Pelo menos é o que se pode inferir da declaração feita ontem e que deve abrir páginas dos jornais desta sexta-feira: ''Lula diz que futuro presidente terá de recriar CPMF''. Expressando uma postura afinada com a da ministra Dilma Rousseff, Lula quer aumentar os impostos para atribuir mais poderes à máquina administrativa, paquidérmica e emperrada.

Lula disse que o próximo presidente terá de encontrar um substituto para a CPMF, o antigo imposto sobre o cheque para bancar a saúde, extinto em 2007. ''Quem quer seja presidente da República depois de mim vai ter que discutir mais dinheiro para a saúde. Não é possível fazer saúde neste país sem dinheiro, pois custa caro.''

O Senado, não aprovou, em 2008, a CPMF. Então Lula diz: ''Não conheço um empresário no Brasil que reduziu 0,38% do custo, que é o que a gente pagava no cheque. Entretanto, tiraram da União 40 bilhões de reais por ano''.

A equação do presidente não bate e não fecha com os cálculos dos empresários e das pessoas comuns, consumidores, assalariados, enfim quem tivesse de recolher o ex-imposto da saúde. O presidente diz: Seriam apenas 0,38%... Porém, quem paga, responde: mas são 40 bilhões de reais (que deixam de circular no comércio que também tem sua função social). Outro erro: de fato nenhum empresário, como diz o presidente, reduziu seus custos em 0,38% valor que deixou de pagar para a CPMF. Ora, empresário não absorve todas as despesas, ele as repassa nos preços.

Agora, o repasse para os preços do equivalente à taxa da CPMF, significa efeito em cascada no bolso do consumidor. A forma como o presidente coloca (nenhum empresário reduziu do custo, ao deixar de pagar a CPMF) passa a falsa ideia de que empresários foram beneficiados. Negativo. A CPMF seria bancada - como foi enquanto vigorou - pelo povo, ou qualquer pessoa que tivesse conta bancária, pois era cobrado sobre o cheque.

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