Lula agindo para frear imprensa
É do conhecimento dos historiadores mais atentos que políticos e militantes extremados, mesmo que ideologicamente antagônicos entre si, se identificam bastante em ideais de tirania e são capazes das mesmas atrocidades. No mais das vezes seus apregoados ideários não são mais que fórmulas para alcançar o poder, e uma vez dominadores de situações, passam a fazer tudo o que abominavam em suas pregações. Os extremismos radicais se tocam e se valem das mesmas armas na busca de seus anseios de dominação, e não rejeitam a violência se julgarem necessário.
Veja-se agora que, meio na surdina, o sindicalista/presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que outrora condenava (e justificadamente) o regime ditatorial que por tantos anos tomou conta do Brasil, já conspira contra certas liberdades da imprensa. Porque esse incômodo meio de difusão (para ele) conta tudo sobre os escândalos de corrupção em seu governo, sobre a gastança governamental sem freios e não o aplaude com a intensidade que sua ambição deseja.
Agora o líder dos trabalhadores dos seus tempos gloriosos de sindicalista que defendia com unhas e dentes o direito de os veículos de comunicação tudo dizerem contra os que ele elegia como desafetos destacadamente a classe patronal endurece contra a imprensa no projeto de lei em gestação no Ministério da Justiça. A ressalva que isenta jornalistas de punição por difundirem informações por via de escutas clandestinas (próprias ou que lhes forem fornecidas), da esfera oficial, foi suprimida por ordem de Lula. Limitar o alcance dos meios de comunicação é um sonho de governantes de direita e de esquerda. E certos parlamentares pródigos em discursos apregoadores de liberdades não ficam atrás no anseio de impor limites à ação dos comunicadores que levam as informações à opinião pública. Naturalmente aquelas que não lhes interessam.
Conforme já escrevemos recentemente, da mesma forma que o rigor sobre as escutas clandestinas favorece a proteção das conversas comprometedoras no âmbito dos Poderes, a investida para cercear direitos e liberdades de imprensa não é outra coisa senão reforçar as defesas de que os homens públicos querem cercar-se, contra os seus atos escusos.





