Luiz Geraldo Mazza
Luiz Geraldo Mazza
Guerra às pesquisas
A oposição, sincronizada, declarou guerra às pesquisas: anteontem, Brizola e Lula (e todos os dias Requião) insistem que as sondagens de opinião pública estão viciadas e que no meio da próxima semana, Ibope, Datafolha, Vox Populi terão que ajustar os números que foram engordados. Como FHC caiu 2 pontos e Lula subiu 2, foi o suficiente para que se alegasse que havia se iniciado a aproximação das tabulações e que encaminhariam o pleito para o segundo turno, sinal até agora não revelado. Esse raciocínio o pessoal de PMDB e PDT já havia desenvolvido, aqui no Paraná, quando da ligeira reação de Requião e da oscilação milimétrica de Lerner.
Circunstâncias psicológicas afetam essas apurações, como já se viu ao longo das tomadas de opinião, e como são episódicas acabam, na sequência, revelando-se inócuas ou pouco significativas. Ontem, por exemplo, um equívoco de interpretação das tabulações do Ibope na imprensa indicava que Lerner havia caído 3 pontos em Curitiba. Um erro de leitura deu margem ao registro. Na anterior, Lerner tinha 49 e Requião 32, e na mais recente a mudança foi de 51 a 31. De 17 pontos, a diferença saltou para 20, portanto 3 pontos a mais para o situacionismo. Houve inversão da ordem das pesquisas e daí a incorreção.
Se Requião efetivamente conseguisse esses 3 pontos, ter-se-ia uma situação cumulativa suficiente para alavancar o empenho de cabos eleitorais para tentar a virada, o que seria estimulada por esse sinal, aí já expressivo, ainda que não no conjunto, de reversão. Como o próprio candidato anda empenhado em desqualificar pesquisas, dizendo que a do Datafolha seria feita pelo Bonilha, que trabalha para o governo, foi desmentido pela direção da instituição paulista. Mas discutir e contestar é uma forma de sinal de vida e esse mínimo gesto é o que se espera de quem tenta levar até o fim uma candidatura e manter um clima aparentemente épico e de luta.
O que o Ibope-Globo mostrou é que Requião perde em todas as regiões. Na que ele está melhor, no Oeste e Sudoeste/Centro Sul, perde de 37 a 30% e de 46 a 37%. No Setentrião também Lerner mantém a dianteira: 44 a 32% no Norte Pioneiro; 46 a 36% no Norte Central, e de 48 a 23% no Noroeste. Uma área que havia revelado recuperação de Requião tinha sido a Região Metropolitana de Curitiba mais Litoral na pesquisa anterior, com 45 a 36%, e na atual Lerner subiu para 48 a 33%, um salto de 9 para 15 pontos, o que não é pouco em termos de evolução.
A esperança ficou reduzida a duas hipóteses: a troca de voto, o que só se daria num clima traumático, ou a conquista de todos os eleitores indecisos, em número de 16%.
Hoje, no comício do PMDB na Boca Maldita, se Jair Rodrigues, entoar Prepare seu coração// pra história que eu vou contar// eu venho lá do sertão... até isso vai incomodar: coração lembra o símbolo de Lerner e A Disparada, o salto nas pesquisas de preferência de votos.
GLOSA
Um secretário de Lerner anda tão habituado em pisar na bola que já ganhou um apelido Gerald Ford, o que dava topadas seguidas. Lyndon Johnsson disse que Ford era incapaz de andar e mascar chicle ao mesmo tempo e ainda que era o único no mundo que poderia jogar rugby sem capacete
AXIOMA Na última campanha prefeitural de Curitiba, um correligionário de Cássio Taniguchi, querendo mostrar espírito crítico, falou que havia passado na Boca Maldita de madrugada e tinha visto três crianças dormindo ao relento. Cássio perguntou rapidamente e o que você fez?. Não fez nada, acreditando que tudo é obrigação do poder público.
BIZARRICE Segundo oposicionistas no Paraná, não existe a via alternativa em estradas pedagiadas para poupar o governador. É tão indeciso que se encontrasse diante de duas alternativas, como se deu no caso da anistia das multas, não saberia qual escolher e ficaria meneando a cabeça no meio da estrada.
SPRAY Paraná acabou ganhando importância neste final de campanha: depois de amanhã Lula e Brizola estão aqui, e na quarta-feira será a vez de FHC. - Pelo jeito, a maior diferença de votos entre FHC e Lula será no Paraná. No último Vox Populi estava com 57 a 19%. - O PMDB especialmente procurou cercar essa reta final de um máximo possível de motivação: o comício de hoje, às 11 da manhã, Boca Maldita, com Jair Rodrigues e Banda, é prova desse esforço. - No volante de convocação, a referência aos gastos em propaganda de R$ 334 milhões, o que é assustador e exige explicação que até agora o governo não deu e só enrolou. - Mais de um terço de bilhão só em divulgação e propaganda, num Estado que pretende R$ 4,1 bilhões para sanear seu banco, exige mais do que CPI. - De outro lado, a Associação dos Proprietários de Jornais e Revistas quer essa explicação porque, segundo seus levantamentos, veículos do Paraná não levaram nem 10% desse total. - Fulminada a laranjice de Edson Mahmud, que pretendeu impugnar a candidatura de Gustavo Fruet no TRE. Por unanimidade, a candidatura está confirmada. A impugnação, tida como ilegítima. Resta agora descobrir o Macunaíma que pretendeu beneficiar-se com a medida, uma vez que o ato não pode ser tão gratuito. Suspeitas caem sobre muita gente do PFL, PSDB e até do PMDB, o que em tempo de especulação é normalíssimo. - Cândido Gomes Chagas fazendo distribuição em Guaratuba, desde o meio da semana, de milhares de separatas da denúncia de Paraná em Páginas sobre a promessa não cumprida de Lerner para urbanização da área solapada na Rua da Praia. - Última revista abordou a questão do metrô, solução que ela reclamava desde 1974. - O Paraná não tem constitucionalistas? Então por que Aníbal Khury insiste em pretender serviços do advogado Yvens Gandra para o caso da anistia das multas do trânsito? - Apoio de Ratinho está vitaminando a candidatura de José Carlos Martinez, que pode ter votação surpreendente. - Previsão do tal Inesp sobre quem se reelegerá para a Câmara Federal está meio furada. Difícil a reeleição de Hauly e por culpa de Álvaro Dias, que deixou de sair para o governo. Bancada do PSDB, tanto estadual como federal, murcha como maracujá de gaveta.
FOLCLORE CNBB pede que não haja votos em mentirosos. Se a proposição é para valer, somos todos, por aconselhamento da Igreja, obrigados a votar em branco.
CROMO O meu Brasil para aumentar a sua glória// Dia virá em seu futuro ascensional// Em que o mundo invejará a sua história// Porque serás um paraíso universal!// Essa era cantada pelo Vicente Celestino e dá a medida de uma de nossas tradições, o ufanismo. Ideal como fundo musical num caso de ataque especulativo das bolsas.





