Luiz Geraldo Mazza
Luiz Geraldo Mazza
A renúncia ensaiada
Como o uso do cachimbo deixa a boca torta, o PMDB vive a sua maior contradição em não saber viver fora do governo. O que era uma característica do PFL passou a definir-lhe o estilo. Daí a crise nacional, hoje contornada, inclusive com a derrota do Paes de Andrade, arrasado nas pesquisas, gerada justamente por esse conflito de identidade entre o ser governo e o ter pauta própria. Quando o partido era poder no Paraná não faltavam investidores na campanha, além mesmo da clientela cativa de empreiteiros, fornercedores e prestadores de serviços. Hoje isso mirrou e como não há quadros (esse é um drama de todos, governo e suposta oposição), Requião era tão necessário ao PMDB como Álvaro Dias ao PSDB para eleger uma bancada decente.
Álvaro escolheu o caminho mais fácil, o de uma eleição caricatural porque pior do que a dos biônicos (tanto que muita gente descarregará votos em Maria Fernandes do PSC, opondo-se à linha engajada de Nedson Micheleti) e Requião percebeu que para manter o controle do PMDB e, mais do que isso, o grêmio vivo era indispensável à sua participação, mesmo com todos os riscos da falta de recursos e, sobretudo, de motivação que, a cada pesquisa, cai mais.
A referência à renúncia foi feita em meio a habituais críticas ao que Requião considera rigor do Judiciário nas sanções sofridas e como uma forma de dramatizar o seu inconformismo. A suspensão dos programas anteontem, que já estava decidida, foi levantada por 4 votos a 3 no TRE. Há, no entanto, outros recursos situacionistas e que poderiam tirar o resto de espaço disponível à oposição. Se Requião sair do ar, acaba faturando emocionalmente o episódio e essa ausência pode pesar no ânimo dos que o apóiam e dos que podem vir a fazê-lo em razão de uma interpretação hostil da postura judiciária.
Os magistrados não podem, no entanto, sentir-se inibidos na tarefa de julgar pela emergência de fatores psicossociais. Isso cria a atmosfera na qual Requião cresce e até se agiganta, como tem acontecido na sua carreira. Apesar de tudo, se é que as pesquisas estão bem calibradas, não há como mudar o rumo da eleição. Se ficar, no entanto, um resíduo tanto melhor, como se deu quando Lerner perdeu dele em 85, e em 90, quando obteve aquela vitória com a cena do Ferreirinha. Um resíduo é como um gol anulado em fim de campeonato e ajuda depois na hora da reconstrução e da reacumulação de forças.
GLOSA
Se o Lerner sancionar a anistia das multas do trânsito, pode-se dizer tudo dele, menos que tem pulso por prestar vassalagem a Aníbal Khury. A lei é inconstitucional e imoral, ainda mais num período de proselitismo eleitoral
AXIOMA Dias passados, Giovani Gionédis (que a cada fala cria um estrago interno) deu a resposta à pergunta em coral da oposição em torno de quem paga a tida como megacampanha: Empresários e contribuintes, menos os sonegadores que ficam do outro lado. Será que não há sonegadores na chapa oficial? Falido, falado e inadimplente há em tudo que é lado.
BIZARRICE O pior nesse caso da Monica Lewinsky é a hipótese de o charuto usado nas libidinagens ser cubano, cuja comercialização é expressamente proibida nos States. Além da traição à mulher, Hilary, haveria também à pátria.
LARANJICE Um tucano pró-Lerner, que atende no comitê, chamado Edson Mahmud, fez o gol contra da semana. É verdade que não está só porque sempre aparece um Gionédis ou um menos categorizado para tarefa semelhante. O que fez o Edson? Simplesmente protocolou na Justiça Eleitoral uma impugnação contra o Guga, o Gustavo Fruet. Ora, essa babaquice vai ser creditada ao time de Lerner porque os Fruet, Maurício e Guga, são casos raros de unanimidade. O Mahmud está me violentando pessoalmente, pois na minha casa todos, de mulher a filhos, todos iriam votar no Guga. Não preciso recorrer ao Talmud para uma oração ao Mahmud.
A laranjice vai custar caro porque não se sabe a quem pretende beneficiar e o PSDB já anunciou que intervirá na zonal onde o Mahmud aprontou essa zona. No fim da tarde havia empenho para que o Mahmud, através do seu advogado, retirasse o pedido de impugnação e isso graças à intervenção de lerneristas.
SPRAY O social oportunismo é a marca de certos dirigentes sindicais: a APP, que não tem mais poder de mobilização para fazer greve, quer uma assembléia no dia 28 deste mês para forçar o governo a aprovar o Plano de Carreira. Tenta gerar um fato político para pressionar o governo, com quem tinha um pacto para examinar o mesmo assunto em outubro. - Como se vê, Aníbal Khury faz carreira: os mestres o imitam na imoralidade da anistia das multas do trânsito com essa proposta sem fundamento ético e puro proselitismo. - Roberto Requião manteve a sua pauta de mini-comícios no interior, deixando um pouco a Grande Curitiba e também vai pleitear no TSE a derrubada de todas as restrições do TRE quanto a direitos de resposta, suspensão de programas. O TSE antes dava autonomia aos TREs, mas agora, em função da eleição atípica (reeleição em especial), altera as suas decisões. - Jaime Lerner percorre 13 municípios em campanha, mas vai e volta porque a preocupação maior é a Grande Curitiba. Dos dois, diga-se. - Requião tem a sua principal base em Curitiba e é aí que precisa de grande votação para manter as suas condições de maior liderança do PMDB (seus aliados perderam tudo nas disputas nacionais) e do PT, se tiver que mudar de barco. - Um papo sobre grana de desmanches de automóveis está dando o maior tititi na área da segurança. Como já não bastasse tanta falha, agora esse tipo de eficiência. Aí não dá, gente.
FOLCLORE Comício em Cambará. Requião, motivadíssimo, empolgado, perora. E de repente se irrita com o zumzumzum do papo de alguns integrantes do palanque, entre eles o José Janene (PPB). Requião pede que calem a boca, em altos brados,já que não possuem entendimento para acompanhar o que está dizendo. Daí veio o trocadilho na sequência: caramba, isso só poderia acontecer em Cambará.
CROMO Corujas emitiam sons no Ginásio do Tarumã e o diretor de Cultura deu ordem a policiais militares que as fuzilassem para não atrapalhar aquela chatice monumental do festival de etnias. Colorido e verdadeiro num tempo em que infelizmente não havia ecochatos.
AFORÍSTICO O Jim Jones pode pintar nesta eleição quando menos se esperar.





