Luiz Geraldo Mazza
Luiz Geraldo Mazza
Prodigalidade extrema
Muitos devem ter estranhado a nota, ontem publicada na primeira página dos veículos impressos anunciando que o Sindicato dos Jornais e Revistas não crê ser verdadeiro o informe, mostrado no horário eleitoral, que o governo teria gasto milhões de reais com propaganda e informação de interesse público. Há um documento, firmado pelo secretário de Comunicação Social, jornalista Jaime Lechinski, o afirmando, o que parece ter fé pública. Até agora tentou o governo, mas não o obteve, o direito de resposta junto ao TRE.
Ainda que se possa justificar que numa só rubrica orçamentária entram as diretas e as indiretas (isso é Executivo mais estatais) e, mais do que isso, dispêndios com produção e arte, trabalhos gráficos, todos os gastos com a Imprensa Oficial não é imaginável como dispor de tal quantidade de recursos quando o governo paulista, o de Mário Covas, investiu na área, até agora, nada mais do que R$ 90 milhões, um quarto, portanto, do que o governo Lerner teria utilizado. É inconcebível qualquer analogia racional entre um Estado como São Paulo e o Paraná.
Para onde foi toda essa dinheirama se a clientela mais imediata contesta a possibilidade de que tal fato - como está na certidão referida na campanha eleitoral - tenha acontecido. O sindicato não conta, e talvez por uma questão de elegância, que há muitas faturas a receber e em alguns veículos, entre os eletrônicos e os impressos, esse atraso é de quatro a cinco meses. Daí o pedido, administrativo, de informações feito pelo presidente daquele órgão, Abdo Aref Kudri, para que tudo seja esclarecido, o que aliás não é apenas do interesse da corporação, como também de todo o público.
Que o governo tutela os meios de comunicação ninguém ignora. Não é de hoje. Nem Requião, muito menos Álvaro Dias ou qualquer outro, têm condição moral para falar do assunto porque nenhum deles tentou o choque de capitalismo prometido pelo senador, o que seria louvável para todos pelo fato de termos uma imprensa mais crítica e que ajudaria a formar uma consciência cívica, tirando a massa da área de manipulação e, sobretudo, dessa outra praga que é o conformismo.
O número de jornais, estações de rádio e TV, revistas em Curitiba é absurdo, quando tanto se fala e apregoa a economia de mercado. Boa parte do contingente sobrevive graças à subvenção, consequentemente a tutela. Há veículos que são bombas-relógio social em que os salários ficam atrasados três meses e corre-se o risco de recebê-los sem fundos, como acontece com frequência.
Ano que vem essa moleza não pode e nem deve continuar porque o Banestado, até lá provavelmente em saneamento, deixará de dar R$ 5 milhões ao mês só nesse item. Também outras estatais como a Copel e Sanepar deixarão essa forma de generosidade de lado por um imperativo de sobrevivência, o mesmo se dando com as demais indiretas e também com o Executivo, hoje minado pela crise financeira.
O esclarecimento é necessário, mas a cultura acumulada não pode, de forma alguma, ser mantida porque aí teremos que concluir que entre o Estado falido e meios de comunicação em dificuldades, essa hipótese é a de menor ônus para o conjunto da sociedade. Isso não significa que o governo não deva anunciar, o que é uma imposição do princípio do direito à informação e sim que deve fazê-lo com critério e sem subordinar-se ou subordinar.
AXIOMA
Requião fez blague na campanha eleitoral com o fato de o governo comemorar até Ibope negativo, festejar, enfim, o gol contra. Devem esses governistas estar tomados pela mania, pois ontem voltaram a foguetear
GLOSA Diário de um louco no Teatro Fernanda Montenegro, esclareça-se, não tem nada a ver com a campanha eleitoral.
BIZARRICE O boato passou a tomar conta da campanha eleitoral. Ontem alguns deles indicavam que havia Ibope e DataFolha dando Requião na frente. Pessoal do governo tentava mostrar serenidade, mas parecia contagiado. Pelo jeito a oposição leva ao pé da letra o ensinamento de Anfrísio Siqueira de que o boato é o embrião da verdade. É que em sua circulação, de um lado para outro, ganha tantos enriquecimentos que de repente aquele que o lançou acabe convencido de que inventou a verdade.
SPRAY Ironia trágica a morte de ocupantes do helicóptero que rastreava as linhas de Itaipu para detectar possíveis atos de terrorismo. - O pior é que, criada a paranóia (e isso já está visível nos telefonemas de trote), a situação pode se agravar. - Não há indicadores claros de que as sabotagens tenham objetivo eleitoral, mas que afetam o clima psicossocial e atinge a campanha não se pode duvidar. - Procuradoria de Justiça abriu, desde ontem, inscrição ao concurso para 50 cargos de promotor substituto. - Sindijus tenta, mais uma vez, dia 21, ganhar aquilo que já conquistou na instância superior e o Tribunal de Justiça não cumpre: o pagamento de reposição superior a 60%. - Mas não é só no Judiciário que há esse tipo de problema: Aníbal Khury, na Assembléia Legislativa, se recusa a cumprir decisão do STF que beneficia os seus procuradores pela extinção do redutor. - O desembargador Zappa deve tentar novamente a presidência do TJ no dia 18 de dezembro. - A resistência da área do urbanismo na prefeitura de Curitiba a decisões da secretaria do Meio Ambiente e da Delegacia de Ordem Social que pedem o fechamento do bar El Rancho continuam sem cumprimento. Cássio tirou, de uma penada, o secretário de Saúde e em seguida a diretoria do Instituto de Previdência Municipal sem qualquer problema. Pergunta a sexóloga Salete Arruda, que está à beira da neurose por causa dos decibéis do El Rancho: quem é o padrinho?.
FOLCLORE Da mesma forma que os portugueses compraram cavalos vendo anúncios do Marlboro e pode haver saída de pasta de dente Sorriso em lugar de votos para Rafael Greca e Toni Garcia, tanto o Rolando Boldrin como a viúva Dinacir Correa correm o risco de receber votação, tantas foram as suas aparições.
AFORÍSTICO Esse excesso de comemorações dos lerneristas, a cada pesquisa - como essa da Vox Populi - dá a nítida impressão de medo: festejam tão exageradamente que parecem mais preocupados em bloquear os boatos da oposição. Mas ontem eles tinham algo a seu favor: o Brasmarket, esperança do Requião, por mostrar uma diferença de pouco mais de 4 pontos subiu para 8 (43 a 35).





