Luiz Geraldo Mazza


O espaço metropolitano
A despeito da diferença de 14 pontos no último Ibope, em que se acusava uma recuperação de 2 pontos para Requião e a perda de 1 para Lerner, o sinal mais perturbador, para o front governista, foi o avanço da oposição no espaço metropolitano da Capital. Em Curitiba, de uma diferença de 26 pontos (52 a 26) houve um ganho de 9 para Requião com o resultado apurado de 49 a 32. Queda de 3 pontos de Lerner e ganho de 6 para Requião.
Não bastasse isso, como se houvesse um caso clássico de vasos comunicantes entre o centro e a periferia da Grande Curitiba, Lerner mantinha distância de apenas 9 pontos (45 a 36) na totalidade dos municípios que a integram, à exceção da Capital. Para a oposição o fenômeno foi interpretado como virada, ainda que seja cedo para comemorá-lo e enquanto não ficar definida uma linha de tendência.
Acionada a sirene do alertamento pelos que se incumbem (e que não são poucos) de decodificar pesquisas, foram tomadas imediatas providências pelo QG oficial: a integração maior de Cássio Taniguchi - que, além de prefeito, é também o presidente da Associação dos Municípios da Região Metropolitana de Curitiba - nessa campanha, e tem todas as características de sucessor de Lerner, depois de sua provável reeleição também em Curitiba.
Todavia, o crescimento na Capital, mesmo que perdendo, como de fato está ocorrendo, em todo o interior (Londrina mostra Lerner com 51,4% contra 26,2% de Requião, conforme a Alvorada Pesquisas), pode indicar uma habilitação do PMDB para retomar o poder municipal, o que deve produzir calafrios naqueles que mantêm, há tanto tempo, essa hegemonia e que não imaginam, em hipótese alguma, perdê-la.
A assinatura da ordem de serviço para as obras do Contorno Norte em Santa Felicidade, mais os atos relativos ao Linhão do Ofício e a nova linha de transportes coletivos, a Circular Sul, indicam uma concentração de energia na Grande Curitiba, o que mostra que ninguém subestima a oposição, embora a folgada distância obtida no panorama geral.
Requião não encontrou um tema básico para desgastar o governo: o da segurança, que atinge indistintamente a todos, e que revela a fragilidade maior do governador, por haver delegado a área aos políticos, é explorado de forma fragmentária. Embora o uso do medo seja uma arma que pode conduzir ao fascismo não se vê da parte de Lerner firmeza e determinação em limpar a área de sua acomodação incestuosa com o crime, o que deveria ter ocorrido logo após a descoberta de toda a armação em Almirante Tamandaré e que não deve ser a única. As duas tentativas de golpe de mão naquela delegacia revelam, de outro lado, o propósito de desmoralizar a gestão de um delegado operacional, Rubens Recalcati, que assumiu aquela área crítica.

BIZARRICE
Encerrada a fase do corpo a corpo, teremos agora, na sequência da campanha eleitoral, a do porco a porco. É o surf na lama


AXIOMA Maria que não vai com as outras: uma é a candidata ao Senado a Maria Fernandes do PSC e outra a Maria das Graças Arruda de Oliveira, hoje superintendente-adjunta do Incra, e que neste fim de semana obteve mais um feito ao trocar três reféns da instituição sequestrados pelo MST na Fazenda Espinheiro, a 102 km de Natal, por 300 cestas básicas.
GLOSA Surpreendente que haja tanta luta pelo poder no interior da Secretaria de Segurança e que pessoas de fora, não apenas da Assembléia, mandem lá mais do que os de dentro. Outro detalhe: há muita gente da alta hierarquia ligada demais ao senador Requião. Seria falta de pulso, como a oposição sugere, logo ela que está por dentro do sistema?
TAPETÃO Não apenas os marqueteiros, que foram até capa de revista esta semana, são as atrações desta campanha eleitoral. Desta feita os advogados ganharam destaque no tapetão. Os da oposição foram mais ousados e queriam nocautear o governo previamente com a impugnação da chapa por causa de suposta fraude nas atas. Os do governo, mais realistas, ganham, paulatinamente, mais tempo e já tiraram do ar peças como a das viúvas do IPE, cujos precatórios datam do tempo de Requião e que ele próprio deixou de pagar. Na campanha de Cássio Taniguchi, os advogados, que são os mesmos de agora, ganharam uma hora do adversário e perderam apenas três minutos. A equipe de oposição melhorou bastante.
Por sinal que o doublê de advogado e candidato, Genésio Natividade, entra hoje com recurso para obrigar a coligação governista a retirar a inclusão do PSDB nas suas faixas. Natividade inventou o posto de pedágio simbólico e que está fazendo algum sucesso por se tratar de peça bem humorada.
SPRAY Qualquer fato que ocorra no Oeste, como o da sabotagem nas torres de Itaipu, e lá vem a especulação: pode ser coisa da máfia chinesa, embora essa atue em fornecer ‘‘proteção’’, contrabando e tráficos que vão além da influência. - Hoje os dirigentes da Ferropar, que toca a Ferroeste, anunciam investimentos de US$ 3 milhões, aumento do silo e instalações multimodais em Cascavel. A tarifa pelos trilhos já estava 15% menor, antes do pedágio. - Nedson Micheleti, candidato ao Senado, aparece em ‘‘out-doors’’ ao lado de Lula e Requião (ele em destaque, os dois em plano menor, o petista com destaque inferior ao do senador), está sentindo na própria pele a rejeição de Londrina ao candidato presidencial. Não é para menos: FHC está, na cidade, com 63,4% e Lula com 11,2%. Não há, portanto, espanto na queda de Requião também.
ALEGORIA Já que a oposição botou uma mocinha a comer parafusos, para sugerir que a industrialização não dá comida para ninguém, só falta agora, para tornar a metáfora mais aceitável, apresentar ‘‘porcas’’ no rolete. Seria uma mensagem subliminar que Toledo receberia com alegria.
FOLCLORE Semana passada um funcionário da J. Malucelli se deslocou a Londrina e quando lá chegou recebeu de um dos executivos da empresa a recomendação de que retornasse ‘‘voando’’. Levou tudo ao pé da letra e voltou de avião. Aí o diretor o advertiu: ‘‘Se você estiver no décimo andar de um prédio e ouvir um apelo para dar um ‘‘pulinho’’ no térreo, não leve ao pé da letra.’’
CROMO No agito da Bolsa, quem diria, chega ao recinto, estonteada, meio ébria de luz, uma borboleta amarela. Os que a viram não perderam nas cotações porque não jogavam e tinham os olhos abertos para um lúdico menos duro.
AFORÍSTICO Se Lerner sancionar a anistia das multas estará mostrando, uma vez mais, que ele é o subgovernador. O verdadeiro é o outro que deita e rola. E estará praticando um ato demagógico e eleitoreiro.

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