Luiz Geraldo Mazza
A gangorra das pesquisas
Requião subiu dois pontos, Lerner caiu um no Ibope-Globo de ontem. Como a sondagem pegou as denúncias pesadas do horário gratuito (a propaganda e os gastos pródigos, a questão da cobrança de obras prometidas e não feitas e mais o caso contundente das viúvas do IPE (Instituto de Previdência do Estado) e que chegaram a pedir o impeachment de Lerner pelo não pagamento de precatórios), percebe-se que mudou muito pouco o quadro em relação à situação anterior.
De qualquer forma, além do Brasmarket, que afunila a diferença para menos de 5 pontos e o Datafolha, que a coloca em 10 (50% a 40%), não há motivo do lado da oposição para festejar, mas sim necessariamente para rever táticas, já que mexer na estratégia é mais complicado. Restam dois caminhos: suavizar, o que pode ser um contraponto à idéia do ‘‘pulso’’ e da ‘‘decisão’’, ou apimentar ao extremo, como desde o início reclamam os mais radicais.
Há ainda o problema de Lula e a rede sanitária para evitar o contágio de sua rejeição, fortíssima no Paraná, providenciada por alguns espadachins, que na ânsia de faturar votos pessoais também se valeram de uma ponte com Álvaro Dias, disposto a tudo para alegar um prestígio que o PSDB não o demonstrará, para uma aproximação com FHC. Tudo, enfim, foi providenciado para recuperar a distância e o resultado de 47% a 33% em favor de Lerner indica variação mínima a favor de Roberto Requião. Na espontânea, Lerner tem 37% contra 25%. O QG oposicionista espera agora o Datafolha desta semana para ver a oscilação que o tempo ruge, já que haverá apenas sete programas e o cronograma se estreita.
Esperança há: o Ibope, tanto quanto o Vox Populi, presta serviços ao situacionismo e nos dois casos a oposição suspeita do ‘‘arredondamento’’ nos pólos, em cima da margem de erro, 3 a favor de Lerner, 3 tirados de Requião. Isso daria, ao invés de 14, apenas 8 pontos, dois de diferença do Datafolha. Acontece que o Ibope, se fizesse agora esses ‘‘arredondamentos’’, correria o risco do vexame à imagem da organização e comprometendo também, por extensão, o cliente, a Rede Globo de Televisão. Suspeitar é preciso, como também exercer o ‘‘jus sperneandi’’, o direito de espernear.

AXIOMA
Quem dos dois, pelo que estão dizendo diante da fúria das Bolsas, é o nosso Jim Jones: FHC ou Lula? É um teste que pode influir na eleição


GLOSA José Simão, o Macaco Simão, ontem na ‘‘Folha de S.Paulo’’: ‘‘E diz que o Álvaro Dias do Paraná esticou tanto o rosto que o TRE vai impugnar a candidatura. O rosto não corresponde à foto!’’ Não é verdade: o que há é o uso de imagens de oito anos atrás, quando Macaco Simão estava no grupo escolar.
BIZARRICE PDT encaminhou à Comissão Ética do partido os casos de quebra de fidelidade. Como dos 61 prefeitos apenas três permanecem com Lula e Requião, o correto seria procurar, a essa altura, quem apagaria as luzes do grêmio que pelo menos no Paraná não sai da UTI e com o tipo de transfusão que vai receber não emplaca 99.
SPRAY Como a análise do IDH o demonstrou, somos o sexto do Brasil, embora o quarto em potencial de consumo junto com o Rio Grande do Sul, conforme a revista ‘‘Amanh㒒. - Em 95 estávamos em quinto, e em 70 e 80 em sétimo, e mostra que vamos bem de indicador econômico e pior de ‘‘social’’ (escolarização, expectativa de vida, mortalidade infantil). - Pior dos indicadores, o que coloca mal a área educacional, é o de alfabetização: a taxa em 96 era de 88,28%. Perdíamos, além dos quatro da frente (RS, DF, SP, SC), do Rio de Janeiro, que está em sétimo no geral com uma taxa de 93,65%. Já no indicador PIB per capita (6.402), ganhamos de Mato Grosso do Sul, mas perdemos do Rio (6.477). - Em expectativa de vida já fomos a terceira do Brasil. Hoje estamos em quinto, com 69,23 anos. Na frente aparecem RS, 70,84; SC, 70,50: SP, 69,39; MS, 69,26. - É possível que tenhamos queimado etapas nestes dois últimos dois anos com os resultados anunciados com a queda da taxa de mortalidade infantil que implica automaticamente no aumento da expectativa de vida. - Observação crítica do professor Fábio Scatolin de que não entra o processo distributivo de renda é em parte procedente, já que o PIB per capita tenta ser, em abstrato, a forma possível de apropriação. Ocorre que feito o cruzamento com informações sociais como esperança de vida e alfabetização já há alguma identificação. - A cidade de melhor qualidade de vida do Brasil é Feliz (RS), que tem 72,5 anos de esperança de vida; 5,9 em 1.000 nascidos vivos como taxa de mortalidade infantil; 2,4% de analfabetismo, 23,9% da população com insuficiência de renda; 99,6% com moradias duráveis, e renda familiar per capita de 1,43 salário mínimo, o que prova que não é preciso muito para ser feliz. - Como se vê, é muito mais complexo o questionário do que imaginou o mestre Fábio Scatolin. Vejamos São Paulo, que aparece em 57º lugar em IDH: 65,4 anos de esperança de vida, 21º em educação, 6,8 anos como média de estudo, 5º em renda (per capita de 6.511), renda familiar per capita de 3,03 salários mínimos. - Outro dado: em termos de salário médio, Curitiba há anos é o segundo do Brasil, depois de São Paulo, com pouco mais de 5 salários mínimos, o que no conjunto nacional é muito bom. Em Cuba, o paraíso na parte social (medicina gratuita, escolarização intensiva), tem um mínimo de US$ 40 e o da China, uma potência, é menor ainda, mas o povo tem subsistência. - Melhor renda é a de Águas de São Pedro (SP), em 10º no IDH, renda familiar per capita de 3,48 salários mínimos e com apenas 4,83% da população com renda insuficiente. - O pior em renda é Tarrafas (CE), 4.347º em IDH, com renda familiar de 0,14 salário mínimo e com 97,1% dos 10 mil habitantes com renda insuficiente. - Destaque-se que no caso do ranking municipal os dados se referem a 91, o que pode ‘‘mascarar’’ um pouco o quadro geral e Curitiba deve, em função disso, estar melhor colocada.
FOLCLORE Genésio Natividade, doublê de advogado e candidato (deputado federal pelo PSDB), sacou uma inventiva: montou um simbólico posto de pedágio na Boca Maldita e na via pedagiada cobrava-se R$ 0,50, o que levava poucos pedestres a utilizá-la, e uma via alternativa gratuita. O pessoal da área, irreverente como sempre, apelidou a iniciativa de ‘‘mata-burro’’ e um lernerista sugeriu que ela iria matar o próprio candidato, que de burro nada tem.
CROMO Suruba floral na Rua XV: beijinhos (aqueles que ornam a Serra do Mar) e amor-perfeito, só faltando a camélia. No panorama supostamente erótico o tom herético na floreira: a coroa de Cristo.
AFORÍSTICO Como nem a fúria das bolsas mudou o quadro eleitoral, teremos dentro em breve candidatos nadando na própria baba do ódio. Com fôlego, dá para atravessar o Canal da Mancha. Mancha é o que não falta.

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