Luiz Geraldo Mazza
Luiz Geraldo Mazza
O voto consolidado
O que impressionou na última pesquisa Ibope não foi tanto a duplicação da diferença entre Lerner e Requião, de nove para 17 pontos, mas o dado referente à espontânea, tida como expressão do voto consolidado, com o repeteco da distância na base de 30 a 17. É verdade que outras instituições, avaliando o mesmo período, atribuíram números menores, como o da Perfil com 45,41 a 34,02, e o mais estreito, o da Brasmarket de 42,3 a 37,6.
Se o voto consolidado, traduzido na indicação espontânea, dificilmente muda, o quadro fica definido como de extrema dificuldade para a reversão. Não se pode, é claro, subestimar o arsenal disponível de denúncias oposicionistas, entre as quais algumas referentes à negociação irregular de terrenos no caso da Renault.
Até agora, a que melhor pegou foi a relativa aos gastos do governo com propaganda, ao que se pretenderia responder, e isso parece vago, com o fato de que Requião teria adquirido mais tempo nas TVs e rádios e mais espaço em jornais e revistas. Ponto para Fábio Campana que era negociador e teria obtido baixa considerável nos valores em função até mesmo da frequência. Isso, porém, é assunto técnico e não político. A adulteração, alegada em cima da certidão, é questão grave e que repete igual procedimento do PMDB que pinçou o nome de Richa de uma lista de beneficiários (ex-governadores) da aposentadoria para não feri-los e não transformá-los em adversários. Houve burla de documento público, tal qual se deu agora. Tanto que a oposição tirou o carimbo crítico que apusera no documento na campanha de agora.
Campanha eleitoral só se sustenta com motivação até o dia da apuração e o funcionamento dos grupos de pressão, apesar da proibição da boca-de-urna que de uma forma sutil ou escancarada é praticada. Como manter elevado o moral da tropa com pesquisas negativas? Não é fácil. Tanto que nas eleições aqui no Paraná (e há também o caso do Rio de Janeiro, da Proconsult que tentava atingir Brizola), isso se deu várias vezes pelo acumpliciamento de meios de comunicação no sentido de dar resultados parciais e com vantagens para o situacionismo, a fim de manter a fiscalização acesa e de atalaia.
Enquanto o governo dá ordens a seus dirigentes eleitorais e de marketing para que evitem o salto alto e continuem buscando maiores vantagens, a oposição tenta interpretar o que está acontecendo e procura uma saída que não seja bem refletida. Há saídas, mas o problema é encontrá-las antes que Lerner chegue aos 50 pontos. A esperança era que tivesse chegado ao teto, mas parece ter gás ainda para subir, ainda que reduzindo o ritmo.
AXIOMA
Pelo que se observa no atual quadro paranaense, o número dos sem-votos é bem maior do que os sem-terra, embora aqueles apareçam mais do que estes
GLOSA Se prevalecer o número do Ibope, Aníbal Khury ganha a aposta de dar 1 milhão de votos de lambujem. Mas o da Perfil (45 a 34) não oferece garantia, uma vez que a diferença é de pouco mais de 800 mil votos.
BIZARRICE Por que Lerner não é político? Simples: não teria disposição, como faz Aníbal Khury diariamente, recebendo, desde casa pela manhã, até o fim da tarde na Assembléia Legislativa, um mínimo de 200 pessoas. Outra coisa: mesmo doente, como é agora o caso de Lerner, Aníbal daria um jeitinho para atender pelo menos parte do seu séquito. Em compensação nem na moléstia, o governador se livra dos áulicos e massagistas do ego, anedoteiros e serviçais.
SPRAY Como o nosso sistema de comunicação não é aberto, favorece a especulação e, em consequência, o florescimento dos boatos que, segundo Anfrísio Siqueira, são o embrião da verdade. Fala-se que a doença de Lerner é diferente da que foi colocada oficialmente, que teria sofrido desarranjo intestinal em função de uma refeição num dos restaurantes mais badalados da praça. - Na França foi possível esconder a doença, tanto de Pompidou quanto de Mitterrand, como de resto se enrustiu a amante de Juscelino e a de Vargas no Brasil. Ney Braga fez uma ponte de safena e teve que suportar a versão de que sofrera um atentado (imaginem) com um tiro nas partes pudendas. - Tanto a vida privada quanto a vida na privada acabam alvo da curiosidade popular, ainda mais em tempo de eleição. - Por falar nisso, como é que fica aquela denúncia que Roberto Requião insinuou, nada sutilmente, das Monica Lewinsky do governo e que a repórter Luciana Pombo ouviu? Quando se privatiza tudo, ou pelo menos a maior parte das coisas, tenta-se fazer do que é privado um fato público. - Está até hoje no Tribunal de Contas, sem solução, o caso cabeludo de uma compra de equipamentos para a polícia, no atual governo, e com sinais visíveis de superfaturamento. - Por sinal que a área de segurança é o calcanhar de Aquiles deste governo: fica visível que as ligações entre autoridades e o crime é mais frequente do que se imagina, não se limitando ao problema de Almirante Tamandaré. - Quase caiu no meio da semana o diretor-geral da Polícia Civil, Arthur Correia Braga, por um atrito com um protegido de um delegado de primeira classe, que alguns políticos desejam colocar na cúpula do sistema. - Incrível o predomínio de gente ligada ao ex-governador Requião na hierarquia, todos com liberdade extrema de movimentos, o que mostra que a política ali está interessada em outro proveito que não o partidário ou do proselitismo eleitoral. - Hoje, às 16 horas, em Campo Mourão, a celebração eucarística do bispo coadjutor D. Mauro Aparecido dos Santos. Cerimônia na Associação Recreativa dos Funcionários da Coamo.
FOLCLORE Nota alta do Diap não dá sorte: a maioria dos que ganharam nota 10 na Constituinte não se elegeu. Exemplo: Waldyr Pugliesi e Nelton Friedrich. Agora quem tem 10 é o Nedson Micheleti, que vai lembrar nesta eleição ou o Waldyr Pugliesi, que foi cristianizado pelo PMDB ou o Tadeu França, do PDT, inventado pelos requianistas. De uma das duas não escapa. O que não é justo para um parlamentar combativo como ele, que promete agora voltar a dizer que Álvaro Dias mandou bater nas professoras em 88.
CROMO No jardim o gato, olho esgazeado, magnético, contempla, inquieto, os movimentos de sabiás-laranjeira gordos, que se movimentam à sua frente. Sua utopia é caçá-los, a dos pássaros voar à sua frente como se ele fosse virtual.
AFORÍSTICO Pelo menos até hoje, se um oposicionista no Paraná estiver rindo, preste bem atenção para ver se não se trata de sequela de derrame.





