Com o ‘‘inchaço’’ do PSDB pela circunstância de ser o governo - aqui realçado nas ações de proselitismo de Álvaro Dias que, excitado, se transforma numa espécie de ventríloquo de Sérgio Motta, o que é de uma vassalagem extrema, além de aparentar revanchismo - percebe-se o quanto a iluminada burguesia deste País se diverte com a chamada social-democracia.
Não custa lembrar que Getúlio Vargas, ao criar dois partidos para sustentá-lo, um rural e majoritário (PSD - Partido Social Democrático) e outro urbano e obreirista (PTB - Partido Trabalhista Brasileiro), montou um sistema de forças que perduraria no pleito que elegeu Juscelino Kubitschek e se manteria, tortuosamente, com a ascensão de Jango após a renúncia de Jânio.
Esse ‘‘social democrático’’ constituía-se numa contradição em termos pelo fato de consagrar os interesses do setor mais reacionário até hoje do Brasil, a tão decantada oliogarquia dos coronéis e de latifundiários. Pretendia-se com essa designação opor resistência aos partidos de coloração marxista, naquele tempo representado por um só deles, o PCB, já que as frações anarquistas e as trotskistas não se organizavam.
Hoje há mais fisiológicos do que engajados na social democracia no PSDB. Haja vista para os últimos batismos aqui do Paraná, conquanto se deva reconhecer que Basílio Villani, independentemente do tema doutrinário, é um aglutinador de primeira linha, mas, convenhamos, não se ajusta a esse uniforme. Até o Paulo Cordeiro, hoje no PTB, está magnetizado pelo fulgor da legenda.
Como ela vive hoje mais em função do que era em passado recente Fernando Henrique, com o que se despista a realidade, mantido o discurso - e não do pragmatismo delirante da moda, com um viés neoliberal, um dos piores estágios do pensamento na evolução das idéias -, ainda há margem de ilusão e manipulação e o partido se apresenta não com crise de identidade apenas, mas tomado pela esquizofrenia.
Durante o golpe, antes da imposição do bipartidarismo, escoltado pelas sublegendas para acomodar tonalidades locais, já o PSD era a mais forte das legendas que apoiavam o regime e mais tarde, quando a Arena se desgastou, inventaram outra ‘‘social-democracia’’ para substituí-la, com as vantagens da semântica menos retrógrada, sob o título de PDS - Partido Democrático Social.
Aliás, ‘‘social-liberalismo’’, que precede na Alemanha o próprio Manifesto Comunista, foi lembrado certa vez por Marco Maciel, e Fernando Collor, estribado nos estudos de Merquior, tentou voltar ao tema.
Menos contaminado, o ideário social democrata se mostra no PT e no PDT, embora nesse prejudicado pelo caudilhismo de Brizola. Mas tanto aí como naqueles que estão no poder a prática (praxis) está cada vez mais distante da teoria. Como FHC é bom de verbalização o mimetismo permanece com o país mergulhando num despotismo que até agora não deu para configurar como esclarecido, posto que assim pareça ao capital internacional que está babando diante do potencial do Brasil como parceiro de submissão, é claro.
BIZARRICE - Lerner gosta de exercícios frasísticos e acrescentou alguns saques na sua experiência londrina: disse que viu no táxi que o atingiu o trator do Sérgio Motta e ao referir-se ao enxerto assegurou que isso não o faria perder o jogo de cintura. Para acompanhar, nesse campo, as habilidades do Aníbal Khury, precisaria fazer um curso intensivo de bambolê.
SPRAY - Encerrada a temporada de praia, o Edifício Rubens David dos Santos Carneiro vai sofrer reparos com avaliação de suas fundações em Caiobá. - Esse episódio, mais o do edifício Atlântico, em Guaratuba, por suas dimensões trágicas, exigiria uma rotina de inspeção em cima dos casos suspeitos. - O curioso é que o Crea, que fiscaliza o exercício profissional, alvo hoje de uma disputa desesperada por duas chapas da última eleição é quem se incumbe da autogestão na área e parece que sua ação é insuficiente para prevenir abusos. - Segundo o IBGE, há indícios de que parte dos migrantes que deixaram o Paraná nos anos 70 e 80 em busca de novas fronteiras agrícolas no Mato Grosso, norte do País e Amazônia estaria retornando. - De qualquer forma, com 8.448.658 habitantes ainda não chegamos aos 10 milhões previstos pela Copel para 1980. Esse fato é importante ser lembrado, porque realça os perigos da hegemonia interna no governo como a empresa exercia, tanto que assumiu as projeções demográficas do mais habilitado, o Ipardes, que tinha razão e acertou as projeções. O curto circuito permaneceu.
FOLCLORE 1 - O Elísio Marques, ex-juiz e anarquista militante, faz correção no conceito de Sérgio Motta, a quem chama de HipoMóttamo, sobre Lerner. ‘‘Onde ele falou ‘ficção’, leia-se ‘surrealidade virtual’’’.
CROMO - Quantas vezes, na quarta-feira, o padre, ao fazer a aposição das cinzas na cabeça do penitente, viu nos seus cabelos purpurina e confete?

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