Luiz Geraldo Mazza
Luiz Geraldo Mazza
O realejo de sempre
O governo está confiante demais nas vantagens que obtém nas pesquisas (em Londrina subiu para 13%, em Ponta Grossa para 19%, isso sem falar que no Ibope sai na frente, no geral, com 9%, no DataFolha com 11% e no Vox Populi com 12%) e parece não dar a importância devida à massificação da denúncia oposicionista dos gastos de R$ 340 milhões, em três anos, com publicidade. Tudo vem através de certidão assinada por Jaime Lechinski, secretário de Comunicação Social, e que repete uma velha técnica oposicionista: a de selecionar um tema em cima de um documento e de uma leitura manipulada, como se fez com as aposentadorias de Saul Raiz e de José Richa, ambas fulminantes em seus efeitos. No segundo caso, uma intervenção da justiça poética, pois Richa se valera precisamente de um documento desse tipo para derrotar Saul Raiz. Com um detalhe: ambas as aposentadorias eram legalíssimas e em torno delas se questionava o fundamento moral, como parece se dar agora.
A primeira resposta a essa pregação veio através de uma fala do ex-chefe da Casa Civil, Cândido Martins de Oliveira, e que, por ter vivido as intimidades do Tribunal de Contas como conselheiro, sabe distinguir aspectos políticos dos de natureza jurídica. Ele próprio, como conselheiro, foi além das restrições doutrinárias relativamente às contas de Requião naquele órgão auxiliar da Assembléia Legislativa para dar um voto, fundamentado, de desaprovação. Sua presença na propaganda gratuita foi boa no sentido de dar um sinal de resposta, o que repercutiu bem na falange aliada entre prefeitos, vereadores e candidatos às eleições proporcionais. Convenhamos, porém, que a resposta ainda é insuficiente para a contundência da acusação assentada em documento.
As aposentadorias de Saul Raiz, como conselheiro do Tribunal de Contas, solicitada pelo governador Paulo Pimentel e que depois foi um dos primeiros a requerer a certidão, amplamente usada na campanha, e a de Richa como titular de uma pensão como ex-governador (que nem Requião e muito menos Álvaro Dias pleitearam como cautela para não ficarem expostos) são legais, mas se prestam à exploração política e com larga eficácia. O mesmo se dá agora com os gastos de propaganda: legais, previstos em orçamento, mas fortes nos números.
Se o governo não responder com a brevidade devida vai permitir a tatuagem. O fato de citar a morte do líder sem-terra Teixeirinha, ocorrida em 1993 na Fazenda Santana, em Campo Bonito, pode soar como diversionismo, embora o caso já tenha sido enfocado pelo candidato do PSTU e que provavelmente voltará à cena quem sabe até para justificar a fragilidade de Lerner diante das invasões, especialmente no Noroeste, e destacá-la como tolerância compreensiva.
FOLCLORE
Sabem por que Lerner viaja tanto de helicóptero? É que ele acha o preço do pedágio intolerável
MAIS CERTIDÃO Por falar em certidão, cópias, xerox, uma diligência da Polícia Federal com ordem judicial foi procedida ontem no escritório do advogado Nivaldo Migliozzi em operação de busca e apreensão do recibo de US$ 942 mil em nome do advogado Renê Ariel Dotti. Migliozzi é o advogado de um ex-colaborador do escritório de Dotti, Rodolpho Lincoln Hey, e que pretende, numa questão trabalhista, receber a parte que lhe cabia em honorários de R$ 942 mil por haver prestado serviços a Roberto Requião na eleição de 1990.
Dotti nega a existência do recibo e diz que nada recebeu por defender Roberto Requião, o que foi confirmado pelo próprio, tudo em decorrência do processo do falso pistoleiro Ferreirinha, que deu margem à cassação do governador pelo TRE.
Enfim, os fantasmas vão e voltam. Principalmente em época eleitoral.
AXIOMA Que tal a privatização dos meios de comunicação social do Paraná? Seria uma boa. O que não pode é uma mídia, notoriamente chapa branca, defender a economia de mercado. Fica ridículo, uma contradição em termos.
GLOSA Tomar Gardenal tudo bem. Mais justificável ainda, como sugere o jornalista e teatrólogo Manoel Carlos Karam, quando se o toma socialmente.
BIZARRICE Dirigente da UDR, irritado com o quadro das invasões especialmente no Noroeste, disse não haver opção racional entre um destemperado e um frouxo na disputa do governo. Isso aí é mais difícil de saber do que distinguir entre o equilibrado e o desequilibrado, como se vê nos quadros da propaganda gratuita. Só falta agora lembrar de O bêbado e o equilibrista, de João Bosco e Aldir Blanc, a composição famosa.
SPRAY Uma das causas do acúmulo de gastos com publicidade oficial é o fato de o governo Lerner ter concentrado tudo (o que seus antecessores não faziam, tanto das diretas como das indiretas) numa só pasta e rubrica. - Assim, gastos gráficos, e não foram poucos, com divulgação do Paraná no exterior, o que teve o retorno das montadoras e das demais empresas, isso sem falar na presença em feiras e empreendimentos promocionais como os Jogos Abertos da Natureza estão aí listados ao lado da rotina (editais, utilidade pública, propaganda institucional, comunicados oficiais). - O retorno de investimento nessa área é sempre discutível, mas não quando se percebe o efeito-demonstração da mudança no perfil da economia. Mesmo assim, o gasto é excessivo e o governo se obriga a responder. - Sai, nesta semana, a relação de aprovados nas provas escritas (sentenças) do concurso para juiz substituto. Não mais de 40 farão a inscrição definitiva e as provas orais. - Em setembro sai a prova para comissário de menores de Curitiba: 2 mil inscritos para quatro vagas. - Novos juízes de Direito: Eduardo Lino Fagundes Júnior (Ipiranga), Maria Fernanda Nogara (Imbituva), Elisiane Minasse (Mamborê), Sandra Tâmara Gayer (Formosa do Oeste), Siladelfo Rodrigues da Silva (Iporã), Sueli Neves (Andirá), Patrícia de Almeida Gomes (Faxinal), Roseli Maria Geler (Realeza), Adriana K. Fernandes (Mangueirinha), Abílio Thadeu Sodré de Freitas (Pinhão). De dez, sete mulheres. - Flávio Arns, candidato à reeleição: Ou se subordina a questão econômica à dignidade de toda pessoa e à qualidade de vida razoável de toda a população, ou o País vai ao caos social, apesar dos indicadores econômicos favoráveis. Qual o sentido que tem para para o pai de família desempregado inflação zero? Inflação zero e salário zero! Nem parece tucano. - Lembro do falecido Edgar Távora dizendo que ninguém come asfalto. Mas o asfalto dá emprego, faz a circulação de riquezas e melhora o decor da fome.





