Luiz Geraldo Mazza
JL levanta, RR corta
Vivemos, depois do feito do Rexona como campeão brasileiro feminino, agora sob o signo do vôlei. É verdade que o perfume do desodorante foi ineficaz para ocultar os miasmas da Leasing, mas também não se pode negar que tenha levantado a autoestima dos paranaenses, ainda que na equipe titular não exista uma atleta da terra.
Como no futebol, estamos meio na fossa, o Atlético especialmente, e apela-se ao voleibol para levantar o moral da tropa no campo esportivo. E se prestarmos bem atenção ao início da campanha eleitoral, ela lembra exatamente o jogo da moda com uma incrível inversão de papéis: Lerner levanta a bola para Requião cortar quando o governador tenta vender um peixe que não se ajusta a sua imagem, a de pessoa que ataca e que é destemida, enquanto o senador faz o inverso e parece um desses pastores da ordem pentecostal no ponto da catarse e do milagre, a graça prestes a ser evidenciada.
Devemos essas coisas - dessa inversão dramática de postura fazendo do homem ameno e próximo da omissão um provocador contundente a essa estultice de tirar o vermelho e botar o branco no PT - à fauna dos enganadores contumazes de campanhas eleitorais, transformados em alquimistas e demiúrgos. Quando perdem, o culpado é o candidato, e quando ganham, o fato se deve em 99% a eles. Não há lugar nesses arrogantes para um mínimo de autocrítica e humildade.
O público tem a imagem consolidada de Lerner como homem de paz, às vezes até na medida exagerada da cumplicidade com o erro; invocar a suposta insanidade de Requião para sugerir que isso não é coragem não remenda e nem retifica a passividade do governador, por vezes tangendo a pusilanimidade, como se vê na abulia com que trata as questões patológicas do Banestado e as invasões de terras que já registram recordes no Noroeste paranaense.
Esse saque - que não tem o impacto do ‘‘jornada nas estrelas’’ do Bernard e da ‘‘viagem ao fundo do mar’’ do Renan - vai ficar na rede e dar pontos certos ao adversário porque justificará, a qualquer momento, o exercício da ira por parte de Requião. Se o propósito é provocar o adversário para que ele venha com tudo, então, mais uma vez, se percebe o desconhecimento - ou seria mesmo um caso de subestimação? - do fato de que o oposicionista cresce justamente nos nutrientes do conflito. E, convenhamos, que o governo não está preparado, pelo menos em função do que mostrou até agora, para enfrentar a novela dos seus próprios escândalos, que não são poucos e os tratou com olímpica indiferença.
Um jogo que dispensa o ‘‘tie-break’’ e que deveria ser decidido no 3 a zero pode, em função dessas artes, ‘‘endurecer’’ e levar muitos para a UTI, desnecessariamente e, por obra e graça, de fatores extracampo, que nem ‘‘cartolas’’ são. Ampliando o grau de dificuldade, os alquimistas, ao invés de serem cobrados, acabam se valorizando, o que não deixa de ser engraçadíssimo. Afinal o ‘‘non sense’’ não é apenas atributo do Woody Allen, às vezes até uma trama do cipoal capitalista.


AXIOMA
Em Londrina, o Estádio do Café mal pode ser usado para os jogos da 2º Divisão. Em Curitiba aconteceu o mesmo com o Couto Pereira dos Coxas e agora pode se dar idêntica situação com o Atlético, já na lanterna, com a sua Arena.
Isola, cruz credo



GLOSA Jesus, o candidato, tenta ser o clone do outro batendo forte como se estivesse diante dos vendilhões do templo. Pau geral no neoliberalismo de Lerner e no cripto esquerdismo de Requião. É também campeão de rejeição como se dava com o outro quando o cotejaram com Barrabás.
BIZARRICE De quem é o logotipo da campanha de Requião: é do publicitário e sociólogo Jamil Snege ou do Néslio Pinheiro? Havia uma discussão sobre o significado da marca quando alguém disse: ‘‘Mas será o Benedito que nem nessas coisas vocês se entendem?’’ O Benedito Pires não tem nada a ver. É homem de texto, um dos mais articulados e concisos do Paraná.
EPIGRAMA Um empresário, de cara equestre, além de ser o campeão do cheque sem fundo, atrasa como ninguém os salários do pessoal. Sempre se sai bem das crises, ameaça de greves e demissões, e ontem, enquanto havia tensão na empresa, alguém, em meio ao desespero, deu a definição: ‘‘É o horse concours em matéria de inadimplência’’.
SPRAY Requião está sendo anunciado numa reunião, segunda-feira, do Sindicato dos Transportadores de Cargas (um seu aliado, o Romanelli, é da área, também frotista) para discutir o pedágio. Vão convidar o pessoal da ABCR, que reúne as consorciadas, para o encontro. O compromisso do ex-governador é o de cortar os 50% restantes da tarifa, sua promessa solene. - Uma especulação de caráter inverossímel, ontem em Curitiba: a aquisição de uma rede de supermercados pelo grupo Abílio Diniz. Não tem sentido porque as escalas operacionais parecem bem diversas, a não ser que o objetivo fosse o fechamento de unidades, o que seria mais absurdo ainda. - Já estão circulando na praça 60 Mégane como táxis. É uma pena que tenham que se ajustar à obrigatoriedade da pintura laranja. Um grupo de profissionais deseja contestar essa orientação da Prefeitura de Curitiba. - Lerner tem urticária quando ouve falar no Paulo Furiatti, a quem processou por haver caricaturado a sua condição étnica em campanha eleitoral. Agora fica mais quando ouve dizer que o Furiatti, que é da equipe de produção dos programas de Requião, anda, de cima para baixo, em companhia do José Janene, do PPB. - A superficialidade acaciana das falas de Álvaro Dias, nesta campanha, vai muito além do suportável. Até porque já tem todas as garantias, deveria ser bem mais conciso nas falas. Dá para imaginar o grau de saturação retórica se fosse candidato ao governo. - Saída de Renato Johnsson (que provavelmente como no caso de Paulo Cordeiro acabará no comando de uma das teles) da disputa aquece bem as possibilidades de Luiz Carlos Hauly.
FOLCLORE Requião, internauta atrapalhado: botou em seu ‘‘site’’ uma foto em que o presidente FHC aparecia, com um truque de computação gráfica, fazendo ‘‘top-top’’. O autor da foto processou o senador. Agora o STF deu um tranco nele, abrindo inquérito por haver divulgado atas sigilosas do Banestado. Se continuar assim, aquele gesto, que forçou em FHC, se voltará contra ele.
CROMO Tão rudes e bravios os pássaros que os espantalhos fugiram.
AFORÍSTICO Carla Perez na campanha eleitoral, ato de vanguarda ou retaguarda?

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