Luiz Geraldo Mazza
Luiz Geraldo Mazza
O sol e a trovoada
Quando alguém está perdendo nas pesquisas, usa aquela tradicional explicação pouco sociológica: a verdadeira sondagem será no dia da eleição. Discute-se, tanto nos meios acadêmicos quanto nos leigos, até que ponto essas pesquisas induzem o eleitor. Elas influenciam no moral da militância, se é que isso existe, mesmo no PT que ainda a detinha, e especialmente nos financiadores.
Uma eleição dura como essa do Paraná, e cujos contornos ficarão melhor definidos na sequência dos programas gratuitos, obriga o financiador a agir com prudência. É comum - e isso faz parte da tradição - dar grana para os dois lados em situações de eleição polarizada e plebiscitária como a nossa, mas os indicadores das tabulações do Ibope, DataFolha, Vox Populi acabam submetidos ao crivo de especialistas nessa codificação e que tentam provar que são tão científicos quanto os resultados de um exame de laboratório de análises clínicas. Mas se aí é difícil trocar-se um exame parcial de urina com a reação Galli-Mainini, o que geraria homens grávidos, na avaliação dos alquimistas das pesquisas uma interpretação poderá confundir sangue com fezes.
O fato é que, a cada pesquisa, surge o sol ou a trovoada pinta no horizonte. É como os comitês reagem e na esteira deles os possíveis financiadores. Um caso curioso é o que se dá com os prefeitos: a maioria esmagadora está com Lerner (em 1994 se alinhava a Álvaro Dias), mas desse contingente poucos estão efetivamente engajados, suando nas mãos diante de cada análise de intenções de votos. Em 1985, data do confronto histórico entre Lerner e Requião para o governo municipal de Curitiba, as pesquisas davam 65 a 5 para o primeiro e com o envolvimento de Richa, Maurício Fruet, Álvaro Dias, Affonso Camargo, Aníbal Khury, todas as representações enfim de poder oficial, o quadro mudou.
E foi na evolução das pesquisas, no esvaziamento dos recursos de campanha, das defecções (um profissional da equipe Lerner rompeu com o grupo e fez declarações bombásticas na televisão com efeito quase igual ao do Ferreirinha) que aquele que tinha mais bala na agulha levou a melhor: o oficialismo e que dava à luta um sentido de oposição na medida em que combatia um mito, Jaime Lerner, alinhado na categoria de referências que vão do Boi Tatá, passando pelo Curupira e o Negrinho do Pastoreio, até Maria Bueno.
AXIOMA
A badalação mórbida em torno do maníaco do parque do Estado de São Paulo acaba gerando a piada de mau gosto como a de um radialista que, comentando a afirmação do Coritiba de que o time precisava de um matador, sugeriu a contratação do motoboy já para o jogo em Bragança Paulista .
GLOSA O Diap (cuja sigla não chega a ter a mística da CUT) deu nota zero para 20 deputados federais do Paraná na votação das reformas. Todos os que tiveram nota alta em avaliações anteriores como as do processo constituinte (Valdir Pugliesi, Nelton Friedrich) dançaram, o que prova que está na contra mão dos acontecimentos.
BIZARRICE Álvaro Dias está com fama de pé-frio, apesar de estar ganhando previamente uma vaga senatorial. Corintiano, foi a São Paulo ver a final e o seu time, que havia ganho a primeira, perdeu. O Brasil estava se credenciando para ser pentacampeão quando ele apareceu na França para comentar os jogos e deu aquilo que todos sabem. E agora, mais recentemente, foi ver o jogo contra o Coritiba e a série de vitórias foi interrompida.
A turma do Requião está louca da vida para que ele vá ao comício de Maringá com Lerner e FHC. Se possível para azarar os dois, porque ele, mesmo com reza brava e despachos, não tem como perder.
SPRAY O QG da campanha de Lerner, que ontem mostrou o site na Internet, está preocupado com o ocorrido com o desvio de R$ 1 milhão nas contas do PSDB.- Aliás vazamento de recursos em campanha eleitoral é muito comum: alguns dos envolvidos no caso da gangue dos 60% do ICMS e que eram dirigentes de zonais do PDT de Lerner em 1985 foram flagrados em negociatas com material de campanha (camisas, bottons etc).- O PMDB ficou com sua sede hipotecada por desídia dos seus dirigentes no andamento de campanhas eleitorais.- Lula viria encerrar a sua campanha em Curitiba. Só de refletir sobre isso o pessoal do PMDB treme, a não ser que até lá o Brasil seja varrido por choque especulativo nas bolsas internacionais, hipótese que poderia afetar FHC e seu governo.- É possível que muito antes do que se imagina, Álvaro Dias se aproxime de Lerner.
Aliás, tirando o caso da eleição de 1994, as relações entre ambos sempre foram respeitosas e, até certo ponto, frutuosas. Consta que Álvaro teria passado ao comitê lernista os resultados de uma pesquisa que seu grupo mandou fazer em todo o Paraná.- Curso de especialização em história da filosofia moderna vai ter lugar na Federal de 20 de outubro deste ano até julho de 2000 organizado, pelos professores Paulo Vieira Neto e Emmanuel José Appel. Espera-se sucesso semelhante com o curso Filosofia Moderna e Marxismo Ocidental.- Quantas áreas ficaram sem comunicação por causa da chuva de anteontem? O próprio Simepar, que cuida da previsão meteorológica, ficou com o sistema devidamente bloqueado.- Uma figura do staff de Lerner apareceu no Diário da Justiça com ordem de prisão da 12ª Vara Cível numa ação intentada pelo Citibank como depositário infiel. Xerox do despacho judicial circulam pela cidade.
FOLCLORE Getúlio Vargas costumava fazer suas longas orações aos trabalhadores do Brasil no Estádio de São Januário, pertencente ao Vasco, ou no Pacaembu. Numa delas levou vaia por causa do envelhecimento da ditadura.- Requião, à falta de espaço mais conveniente, reuniu seus apoiadores na sede do Vasco da Gama na Saibreira, fez um discurso ao estilo Fidel Castro - um monólogo muito longo, um monolongo. E depois de chamar Lerner de governador picareta, afirmou, com a máxima convicção, que essa eleição é macuco de embornal, isto é, já está assegurada. Segundo o Elísio Marques, o anarco ativista, houve quem entendesse maluco de hospital.
Só falta agora um ambientalista lerneriano sugerir que Requião está botando no embornal o macuquinho da várzea. A nossa Tereza Urban não iria perdoar.
CROMO E que arte é essa da Miriam Karam, disciplinando repórteres, com energia e doçura, mais Amareto que Campari?
AFORÍSTICO Nos comitês, da situação e oposição, uma postura normal ontem diante da TV à espera do Ibope, num lado o cardiologista e noutro o foguete.





