Luiz Geraldo Mazza
Lerner perde, se quiser
Apesar de o senador Roberto Requião, com os propalados cinco ou sete pontos de distância, estar fungando na nuca do governador na corrida ao Palácio Iguaçu, a convicção dominante é que Lerner só perde o pleito se acumular erros numa escalada inesgotável. E não dá para subestimar esse lado suicida das forças que lhe são leais e a sua incrível criatividade em produzir fatos negativos: volta e meia um esqueleto cai de cima do armário.
Já se sabe que o primeiro alvo será o Banestado e aí o governo atual, como já tenho dito, tem pesada culpa no cartório. Objetivamente, quem declarou o estado de insolvência do banco, posto que isso se dê a distância do homem comum, guardado nos escaninhos burocráticos do Banco Central, foi o governo atual quando decidiu pela privatização, precedida do saneamento. Enquanto esse papo vinha a público, o interbancário sangrava, exigindo plasma e transfusão. Assim, pois, não há como esconder, o Banestado quebrou na mão de Lerner. Se havia ou não uma bomba relógio, decorrente da herança das gestões anteriores, mal se sabe, pois o primeiro dirigente desta gestão, Fayet, disse que tudo estava ótimo.
Mesmo na batalha judicial, o governo, por suas acrobacias nas trapalhadas, deu nutrientes à oposição. Essa impugnação da regra 3 de Lerner, documentada e razoavelmente argumentada, pode até não emplacar, todavia deu, como um fato político, força aos adversários.
A acusação - e virão algumas contundentes de aberta corrupção - tem que ser respondida, provocar ganho de horário para o contraditório na programação eleitoral gratuita. Se a qualquer boato, na base do terrorismo psicológico, a equipe de Lerner entra em distonia neuro-vegetativa, ampliando as dimensões do problema por sua circulação em vários condutos do poder e da aliança, dá para imaginar como reagirão a ataques verdadeiros e razoavelmente documentados.
Quem batalha na informação tem que se habilitar a decodificar tudo o que possa configurar contra-informação. O que não pode é uma equipe, que se crê dotada de recursos instrumentais e uma saúde de vaca premiada, entrar em pane a cada piada, provocação ou bravata do senador Roberto Requião.
No judô derruba-se o adversário valendo-se de sua própria força. Na política se faz isso também e quando há colaboração no erro tudo se torna mais fácil. Requião não ganha a eleição, mas Lerner pode perdê-la se o seu time chegar à sublimidade na arte de fazer gol contra.

AXIOMA
Uma piada graciosa e até com algum traço lírico: o sêmen encontrado na saia da Mônica é do Cebolinha.


GLOSA Já circula por aí um impresso com os dizeres ‘‘Lula e Requião, irmão’’. O curioso é que, enquanto os petistas ficam felizes com a idéia, peemedebistas como o Romanelli se mostram preocupados. Na verdade, ‘‘FHC e Requião, irmão’’, como alguns gostariam, pegaria bem pior. São as tais contradições do processo.
BIZARRICE A Mônica, não aquela maravilhosa do parque temático do Estação Plaza Show, mas a Lewinsky que pega no pé (êpa) do presidente Clinton, lançou um tema complicado: o que seriam relações sexuais incompletas? Pode ser aquela bíblica de Onan que era impelido a lançar o sêmen ao solo para que não houvesse, sob qualquer hipótese, a fecundação. Pode ser um amasso com os dois pelados. Enfim, tantas são as hipóteses quanto às imaginárias coreografias do Kama Sutra. Ou então um dos parceiros, no clímax, sair correndo.
SPRAY Quando um dos comitês, ou o do Lerner ou do Requião, faz comemorações com foguetes a celebração, se refere a pesquisas internas, não autorizadas à divulgação. - Toda hora aparece um boato sugerindo números, os mais inverossímeis, e dados como de DataFolha, Ibope ou Vox Populi. Serve como guerra de nervos, e nessa tarefa o pessoal de oposição tem mestrado. - Sexta-feira, no TRE, tentou-se fazer a definição do mapa de mídia em função das desistências havidas. Como há cinco pleitos, percebeu-se que o ‘‘rearranjo’’ seria complicado, razão pela qual ficou para o dia 14. - A resolução nº 50 do Contran permite ao maior de 14 anos pilotar um ciclomotor desde que passe por exame a ser regulado pelo Conselho de Trânsito de cada Estado até a vigência do ato normativo. Este só entra em vigor 180 dias da data da sua publicação, a saber em 22 de novembro deste ano. - Não é clara a orientação porque as ‘‘scooters’’ vinham sendo apreendidas a três por dois, mesmo que a sua cilindrada não ultrapassasse 50 cc. - Na ‘‘Folha de S.Paulo’’ saiu matéria em que uma adolescente de 13 anos aparecia pilotando uma delas, o que mostra a baderna em matéria de interpretação. - Para completar, nesta semana, o STF derrubou duas leis estaduais que permitiam menores de 18 anos na direção de automóveis. Já havia igual decisão com lei do Rio de Janeiro sob o fundamento de que não há competência, nem supletiva, para que estados-membros legislem sobre a matéria. - Percebe-se em todo esse pragmatismo que a exegese da lei depende de variáveis de mercado também. - Outra coisa: um princípio irrevogável da lei é aquele que trata da sua eficácia no tempo e no espaço. - A decisão do ministro Renan Calheiros, da Justiça, de recomendar aos estados que não permitam desconto em folha de pagamento para empréstimos leoninos, que só favorecem agiotas, vai encontrar um foco de resistência: há políticos e banqueiros ligados no negócio de uma sordidez exemplar como desumanidade. Há milhares de servidores que estão com seus pagamentos dramaticamente reduzidos por causa da barbárie, que em alguns casos opera com juros de até 14%. - Lerner recebe o troféu ‘‘Personalidade Sinduscon-PR/98’’ no dia 18, 20 horas, nos salões do Paraná Clube.
FOLCLORE Burocratas do Banestado se irritaram com a afirmação, em comentário que fiz na Rádio CBN, que é comum, rotineiro, o sistema informatizado do estabelecimento entrar em pane e ficar fora do ar. Lembrei que o próprio Bill Gates deu um vexame ao apresentar sua última novidade, que acabou não funcionando. O zelo com a informação negativa não corresponde ao que deveria ter sido feito para que não ocorressem os casos da Leasing e da Corretora.
CROMO ‘‘A pinta preta que tu tens no rosto’’, verso do Liberalino Estevam, o poeta populírico da cidade e que andava cheio de caspas como se purpurina fossem. Como faz falta a sua ausência.
AFORÍSTICO O voto nulo ou em branco é um chicote na classe política e nada tem de deserção do eleitor. Ao contrário, esse ato é engajadíssimo e educador.

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