Luiz Geraldo Mazza
Banestado, o jogo da verdade
O senador Roberto Requião sabe das fraquezas e hesitações do seu adversário nas eleições e já elegeu como um dos temas para desestabilizá-lo a questão do Banestado. É assunto constrangedor para Lerner porque o seu governo, na fraude e na incompetência, ajudou a fazer adernar aquele estabelecimento. É verdade que seus antecessores deram a contribuição máxima.
Por que é constrangedor para Lerner tratar do assunto? Primeiro: não gosta de conflito e de riscos. Segundo: ao promover para secretário de Esporte Osvaldo Santos, o responsável pela maioria dos absurdos da Leasing, em que pese as duras expressões do presidente Neco Garcia sugerindo que moralmente o ex-diretor deveria tirar o fardo do governo, afastando-se, ficou comprometido de forma irremediável. É um caso sem resposta: quem é ‘‘refém’’ de quem?
Não venham os governistas com o papo furado de que essa discussão piora o problema do banco e dificulta o seu saneamento. Esse cuidado asséptico, que não houve na condução do banco, não cabe num momento de jogo da verdade como a campanha eleitoral, única oportunidade numa sociedade pouco democrática para que se saiba das coisas em cima de conflitos de interesses.
Que Lerner não queira participar de debates até se entende. Humildemente, sabe - e até já fez anedotas com isso (respostas que Greca daria na hora num entrevero com Requião ele só faria um ou dois dias depois) - que não é nada bom de bico e sua fala reticente só ficaria bem num filme do Actor’s Studios, sob a direção do mestre Elia Kazam. Como o problema do Banestado já está na Internet, no ‘‘site’’ de Requião com a reprodução de atas do conglomerado não há como escapar. É preciso clarear quando e como o banco balançou e isso é fundamental para fixar responsabilidades. Caso se fuja do assunto, fica a impressão de que se pretende uma ‘‘anistia’’ informal para corruptos, maus gestores e inadimplentes a um só tempo, não importando o grau de responsabilização. Traduzindo em miúdos: um acerto parecido com o ato de jogar a poeira para baixo do tapete e com o respeitável público sendo ‘‘afanado’’ mais uma vez.


AFORÍSTICO
A informática do Banestado obviamente não é de última geração. Uma simples consulta se torna impossível pelo fato de o sistema estar em pane quase como rotina



AXIOMA Ironia das ironias: no dia em que se comemorava o 53º aniversário da bomba de Hiroshima (amanhã é o de Nagasaki), o governo brasileiro quebrou oficialmente o monopólio da Petrobrás. A bomba acelerou o fim da guerra, o monopólio do petróleo se assentava em fundamentos da ‘‘guerra fria’’, aquela que se ao fim da 2ª Guerra Mundial e do racha dos despojos.
GLOSA Ontem, 5 da tarde, recebo um desabafo pelo telefone do João Maria, dirigente hoteleiro, revoltado com o que estava vendo naquele exato momento no ferry-boat entre Caiobá e Guaratuba, no litoral: seis carretas de contêineres atravessavam a baía e iam demolir a infra-estrutura urbana de Guaratuba, cidade sem lei, sem prefeito, de um Estado sem governo. É o fim da picada. Não é sem razão que a revista ‘‘Paraná em Páginas’’ vive batendo no tema. Pitecântropus erectus retorna.
BIZARRICE Sinal exterior de riqueza vai ser explorado nessa campanha eleitoral em cima de um secretário que está montando um conjunto faraônico. A equipe da oposição estava filmando tudo, ontem à tarde. Por causa de uma suposição, Álvaro Dias foi prejudicado na eleição passada com a divulgação da planta do seu apartamento, feita por Miguel Samek, do PT, na televisão. Essa é muito maior. Até provar que tomada não é focinho de porco, tudo emplaca.
SPRAY Maringá (que sempre considerei mais do que Curitiba de ser apontada como cidade modelo, por seu plano diretor, sua ocupação do solo monitorada, seu plano de circulação moderno, suas áreas de expansão, seu verde imenso) vai sediar de 28 a 31 de outubro uma reunião da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), com avaliações acadêmicas sobre o homem, instituições na cidade de porte médio. - No Paraná já tivemos duas reuniões da SBPC: numa delas, ajudei a equipe de Curitiba a formular ensaio sobre as áreas de preservação dos mananciais, fundamento que os governos não observaram. Tanto que a água da Sanepar precisa hoje 60% mais de produtos químicos do que há cinco anos, para ser consumida. Tudo por causa da demagogia das invasões que a pilantragem tenta carcaterizar como ‘‘socialista’’, com todo o seu traço de selvageria. - A ação dos agiotas vai ser coibida pelo Ministério da Justiça, cujo titular, Renan Calheiros, esteve anteontem com o secretário da Receita Federal pedindo a quebra de sigilo bancário dos beneficiários. Aqui no Paraná o governo ajuda o corsarismo financeiro ao dar cobertura aos descontos em folha, uma das primeiras medidas que o ministro da Justiça quer acabar. - Vergonha: tiraram, sem qualquer cerimônia, do viaduto da João Negrão, em Curitiba, chamado Ponte Preta, aquela mini-locomotiva, decorativa, que lá se encontrava e fazia parte do cartão postal da cidade. Privatização tem dessas coisas: o novo dono não está nem aí para a nossa memória e sensibilidade. A ordem é protestar e botar, enfim, essa gente nos trilhos da civilidade. - Se um juiz obrigou Maluf a tirar propaganda que estava fazendo via Internet, caricaturando severamente os adversários, por que o governo não age mais duramente com o senador Requião e a sua página? - 130 trabalhadores da Gronau, aquela têxtil que recebeu colheres de chá imensas do Badep e quebrou, estão bronqueados por causa do andamento da auto-falência, quando eles detêm créditos privilegiados. Cada hora pinta um, como no Banestado, que tem o ‘‘mico’’ das Malas Ika que afundou numa briga de sócios e também com boa dosagem de incompetência. - Entre falidos e falados, deste governo e passados, há mais coisas do que possa imaginar a nossa vã filosofia.
FOLCLORE Sábado passado, Bar do Maneco, fizeram uma perfídia com Zé Trindade, o barbeiro de Lerner: expuseram um recorte de jornal em que o governador entregava a sua melena para um barbeiro de Piraquara. Trindade, gozado pela turma do boteco, contou com a leal cobertura do governador que apareceu por lá e explicou que a fotografia era uma encenação jornalística. E tomou um chope junto com o pessoal, sem qualquer cena.
CROMO Sexta-feira, lua cheia, céu estreladíssimo: um balão de propaganda eleitoral rompe com a poesia e a contemplação.

mockup