Luiz Geraldo Mazza
Desprivatizar o Estado
No momento em que se coloca a privatização como salvacionismo e meio indispensável para resolver a crise do Estado brasileiro, é preciso, igualmente, refletir sobre a desprivatização, já que as clientelas que gravitam em torno do poder se renovam, se reciclam, são até mutantes. E a prestação de serviços para o Detran (a tal vistoria eletrônica), as anunciadas concessões de coleta e destinação do lixo na Região Metropolitana de Curitiba, novidades como o surgimento do pedágio, as tais ‘‘organizações sociais’’, normalmente de amigos ou identificados com o sistema, constituem alguns desses nichos.
Ainda ontem me referi aqui ao abusivo aparelho de agiotagem, cuja atividade é facilitada pelo governo que, ao arrochar os salários dos servidores, coloca-os na condição de reféns de empréstimos corsários com as garantias que oferece por permitir a consignação em folha de pagamento, aquilo que num instante de fúria foi negado à Associação dos Professores. Essas organizações, de bancos a operadoras, pertencem a identificados com o governo, como de resto se dá com agências de propaganda, nas quais até parentes próximos do governador Jaime Lerner exercem funções executivas.
O senador Roberto Freire, candidato a vice na chapa de Ciro Gomes, do PPS, embora a sua abertura à modernidade, restringindo a elefantíase do Estado, já se referiu a esse tipo de privatização pelo que tem de nepotismo e também de corrupção. Aliás, para esses beneficiários pouco importa um Estado macro ou micro, que eles sempre dão um jeito de alojar-se, ainda mais com esse outro modismo, de discutíveis frutos, que é a ‘‘terceirização’’.
Tudo, enfim, na velha tradição do Estado cartorial. Haja cartórios, aqueles clássicos, mais os dos despachantes, dos encarregados da vistoria eletrônica dos veículos, dos vendedores de passagens aéreas (agências privilegiadas), dos fornecedores, todos devidamente assegurados em coreografias que vão das licitações pré-encolhidas às tomadas de preços que ao contrário dos raios caem, mais de uma vez, no mesmo lugar.
Há um outro tipo de ‘‘aparelhamento’’ do Estado, aquele feito maliciosamente pelos inadimplentes da Receita Estadual ou dos bancos públicos exauridos como o BRDE e o Banestado, tal qual se deu com o destruído e devassado Badep, alvo dessa fauna insaciável. Uma das evidências disso se deu neste governo, com o caso do Clube dos 60, com o ICMS em Dívida Ativa e os da Leasing Banestado.
Pelo menos o governo teve o peito de tocar os processos, ainda que cometendo um erro fundamental, ao promover o envolvido nos problemas da Leasing.


FOLCLORE
A diferença entre Requião e Lerner é de 7 a 10 pontos, mas há gente no comitê oficial que comemora. A diferença vai ser de um terço, dizia um deles sorridente. E mostrava na mão o terço de orações



AXIOMA Com a saída de Tony Garcia fica demonstrado que o avanço democrático foi inútil aqui no Paraná, já que produzimos uma fórmula de eleger senador biônico nada sutil e com pleno acerto de mega frente partidária. Retrocesso que será respondido nas urnas no voto nulo e em branco ou então num dos dois candidatos nanicos, apenas para sugerir que houve um mínimo de disputa.
GLOSA A propósito do out door do candidato senatorial do PPS, Nilton Servo, é preciso esclarecer que se há um, de mau gosto, em que sugere que Lerner carece de um Servo no Senado existe outro, muito bem bolado, em que proclama que o governador precisa de alguém, do seu lado, na Câmara Alta. De fato, tudo está a indicar que Lerner terá, se ganhar a eleição, um triunvirato do contra naquela Casa e capaz de aprontar outras como a do bloqueio dos empréstimos. Ainda mais com Álvaro Dias tentando sugerir que é a maior liderança do Paraná, quando não terá a menor condição de eleger bancadas estadual e federal expressivas.
BIZARRICE A paranóia em torno do motoboy, o assassino-sedutor do Parque do Estado, em São Paulo, criou um clima terrível em Curitiba: motoqueiro que entrega pizza, moreno e forte, não quis trabalhar nestes dias.
SPRAY Só falta agora o Nedson Micheleti tirar o time, já que está com apenas 1,4% (Brasmarket) e o Paraná dá o maior recuo em politização, na disputa do Senado. - É que surgiram duas correntes: uma entendendo que a saída de Tony Garcia pode ajudar tanto Micheleti como Nilton Servo; outra entende que essa eleição será homologatória e apenas consolidará Álvaro Dias. - Como há temor de que Requião, diante do risco do ‘‘contágio’’ e de perda certa de votos se aparecer com Lula, torne-se mais distante do PT, ao partido haveria riscos sérios de um abrupto esvaziamento nas perspectivas antes imaginadas. - Na verdade, o PT não tem quadros e seu maior eleitor, Luíz Eduardo Cheida, que seria o indicado para a vice, não se dispõe a esse tipo de sacrifício e é um entusiasta aliado de Micheleti. Tanto, que era seu candidato a prefeito de Londrina e entrou em choque aberto com o deputado federal Paulo Bernardo, que havia sido homologado, o que manteve o partido tenso e dividido. - Há uma dificuldade séria no Paraná em assimilar Lula, já demonstrada nos pleitos anteriores, e Brizola em nada auxilia porque perdeu seus espaços mesmo no Oeste e Sudoeste. - No Sul, o Paraná vai desequilibrar a favor de FHC; no Rio Grande do Sul há empate técnico, com pequena vantagem para o PT, e em Santa Catarina, Lula surpreendentemente está bem, embora a esquerda ali não tenha vez e Amin, malufista, deva ganhar. Pelo menos essa é a fotografia de hoje. - OAB PR enviou convites aos candidatos ao governo para que exponham seus projetos, especialmente os da área de Justiça e Segurança Pública. Candidatos teriam oportunidade de falar em sessões do Conselho Pleno, marcadas para os dias 7 e 21 e 4 e 18 de setembro. Figurino igual ao da OAB nacional, sem debate. - O governo paranaense está ‘‘quebrado’’: não pode pagar as indenizações das vítimas de 64 e até agora não nomeou, por falta de dinheiro (o que faz esse secretário da Fazenda, que foi escolhido para encher as burras públicas?), os 32 aprovados no concurso para procurador, homologado desde 5 de janeiro deste ano. - Há 160 cargos de procurador, existindo apenas 107 ativos, o que permitiria que das 53 vagas existentes, 32 fossem ocupadas.
CROMO Um risco luminoso no espaço: a estrela cadente foi tão rápida que não deu para fazer a eleição de um desejo. A beleza atordoou.
AFORÍSTICO Álvaro, primeiro e único. Isso é carnaval, não uma eleição. E o homem é muito enxuto para rei.

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