Luiz Geraldo Mazza
Estado apóia agiotagem
Ao permitir que bancos e instituições privadas, de porte especulativo, façam empréstimos a servidores públicos a juros criminosos, o governo paranaense se transforma em agente de agiotas. Como a concessão é garantida, já que o poder público assegura a consignação em folha de pagamento, esse tipo de operação dispensa complicações cadastrais e configura agudo parasitismo.
É a velha tradição cartorial brasileira funcionando a todo vapor: na moleza, um ramo da clientela pública obtém vantagens absurdas diante do funcionário público que o próprio governo oprime com baixos salários e, como se estivesse lhe fazendo um bem, o transforma em vítima permanente e segura de agiotas.
Estuda-se em escalões ministeriais o estabelecimento de restrições ao abuso da agiotagem oficializada. Lerner, como sempre, não se toca e não enxerga o absurdo que, de certa forma, beneficia empresários e políticos que se dizem seus aliados. No passado, quando o IPE (Instituto de Previdência do Estado) não estava quebrado, essas funções eram por ele cobertas com razoável eficiência a juros baixos, mesmo sob regime inflacionário. Outra instituição que também dava sua contribuição suplementar era a ASPP (Associação dos Servidores Públicos).
Arrochando salários, o poder público transforma os pobres funcionários, tanto da ativa como os aposentados, em mercado cativo dessa exploração inominável. O pior é que os beneficiários, que têm lucros abusivos com esses empréstimos, ainda tentam ‘‘posar’’ de generosos. Urge a medida federal, porque não se pode esperar nada de sensível que parta do governo estadual.

AFORÍSTICO
Eleição eletrônica permite tudo, menos o xingamento, direito que havia quando se usava cédulas. Uma frustração adicional para o eleitor


AXIOMA Onaireves Moura mandou confeccionar 200 mil ‘‘santinhos’’ para a sua campanha de deputado federal. Ele deveria fazer ‘‘diabinhos’’ que melhor se ajustariam a sua campanha, já que em dezembro de 1993 teve a sua cassação de mandato anunciada pelo presidente da Câmara Federal, Inocêncio de Oliveira, por 355 votos a 72 abstenções. Ganhou, de longe do Sérgio Naya, embora a sua obra mais badalada esteja permanentemente em construção e prontinha para ser comprada por este governo comprador de bonde e vendedor de ilusões.
GLOSA Quase um carro roubado a cada hora: 685 só no mês de junho. Só falta perceber que donos de ‘‘desmanches’’ se incluem entre cabos eleitorais. Desse jeito, o delegado Adauto de Oliveira vai levar o resto da vida fazendo denúncias e de forma absolutamente inútil porque todo o mundo sabe que elas são verdadeiras, mas nada acontece.
BIZARRICE O candidato a senador Nilton Servo, do PPS, lançou o ‘‘outdoor’’ de campanha ‘‘Pra fazer mais, Lerner precisa de um Servo no Senado’’. Trocadilho ruim, tem todo o jeito de criação de publicitário que, depois de uma sacada dessas, se acha um gênio iluminado. Ainda bem que o Servo saiu grafado direitinho, porque caso contrário dá pra imaginar o bicho que ia dar.
PESQUISAS A Brasmarket-IstoÉ deu 45,6% para Lerner e 38,6% para Requião. A soma dá 84 pontos, o que é denso demais nessa altura da campanha, mal deflagrada, já que restariam 16 pontos para indecisos, nulos, brancos e ainda o percentual dos nanicos. Essa instituição tem um histórico interessante: previa a derrota de Lerner em 94 e dava um empate técnico na eleição prefeitural recente entre Cássio Taniguchi e Carlos Simões.
Um detalhe óbvio: a disparada de Álvaro Dias, o arranque discreto de Tony Garcia e o imobilismo, quase catatônico, do Nedson Micheletti ao Senado.
MACUQUINHO Dá para imaginar Juscelino Kubitschek querendo tocar Brasília e de repente aparece um biólogo anunciando que existem na área os derradeiros remanescentes de uma espécie de borboleta e em função disso as obras precisam ser interrompidas. É mais ou menos o que se dá com a barragem do Iraí, obra urgente de uma cidade ameaçada de colapso do abastecimento de água potável e suspensa por ordem de um banco politicamente correto com as ONGS, essas, sim, a mania da moda e quase sempre de utilidade discutível.
Há mais nichos na Grande Curitiba desse macuquinho-da-várzea e muitos deles em áreas bem próximas de onde se dará o alagamento.
SPRAY Uma das primeiras medidas que o Banestado deveria adotar agora seria dar fim aos empréstimos a juros abaixo das taxas de mercado. É um delito contra a instituição a manutenção desse privilégio a certas categorias e poderes. - Os incidentes pós jogo Coritiba e Flamengo levaram a Secretaria de Segurança a adotar medidas especiais, incluindo a delegacia móvel para conter exaltados, já para o Atlético x Palmeiras. O reforço no policiamento é indispensável. - O deputado Eduardo Trevisan viu que a barra estava pesada e tirou o time, não mais disputando a reeleição, sem declinar as causas. Continua, porém, apoiando a reeleição de Lerner. - O trânsito na BR-277, no retorno do feriado, foi bem tranquilo, embora se reconheça que o volume de tráfego se mostrou inferior ao da semana anterior, quando houve engarrafamento. O empenho dos consórcios é tentar criar uma rotina em que haja um mínimo de saturação nas praças de pedágio. - Equipes esportivas em movimento: a da CBN fica exclusivamente na Banda B, 550, e teve bom desempenho na jornada de fim de semana, mantendo a liderança na audiência. A equipe do Bicudo (Valdir Córdova) já está na Educativa AM-630 e ataca de Pereirinha, Sônia Nasser e Augusto Mafuz. - Governo comemora cada notícia positiva dos meios de comunicação sobre o Paraná e a matéria da revista ‘‘Exame’’, que acusa crescimento da economia (de 21 empresas que apareciam no ‘‘ranking’’ das 500 em 96, o número subiu para 26 no ano passado) é badalada. Se houver ‘‘ranking’’ das que fecharam, ganhamos prêmio.
FOLCLORE Lula foi traído pelo ‘‘ato falho’’ num discurso na USP: ‘‘Como Deus é grande, e ainda não foi privatizado, o desemprego subiu.’’ Quer dizer: desgraça também se fatura. Anteriormente já havia dito que os Estados Unidos da América do Norte não privatizam. É que eles têm muito pouco para privatizar. A China, por exemplo, vai privatizar milhares de empresas e já avisou que demitirá milhões. Será também uma dependente do FMI?
CROMO Preguiça: o relógio mergulhado num caneco de chope.

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