O senador Requião está jogando pesado na CPI dos Precatórios com a sugestão no sentido de que os Estados, como Santa Catarina, resgatem os títulos emitidos para reforço de caixa a pretexto de atender débitos judiciais. O Banco Central já alertou que se isso for feito, os Estados quebram. Mas o relator não está nem aí com esse tipo de risco.
Desde que foi cassado pelo TRE e em função das atribuições que a Câmara Alta lhe tem concedido, Requião deita e rola na mídia com uma frequência quase igual aquela que desfrutava quando era governador. E com isso vai construindo um espaço importante, ainda mais para quem toma atitudes polêmicas como a de brecar auxílio a pequenos agricultores sob o fundamento de que Lerner esconde os termos do seu acerto com as montadoras.
Chegou até a cogitar de sair, outra vez (a primeira perdeu no teste da prévia no PMDB com Quércia), candidato presidencial. E convenhamos que diante da esquizofrenia que toma conta do partido, ambivalente, desfrutando do governo, mas fingindo oposição, os fatos até o favorecem porque, a despeito de tudo o que há de negativo nele, dentre seus correligionários teria condições para um desempenho razoável com seu furor verbal e pelo fato de não ser ainda devidamente conhecido como um desagregador.
Bastaria - se é que é possível calibrar os seus impulsos - um pouco mais de contenção, uma dose (não muita, é claro) de humildade, mais seriedade nos estudos e no assessoramento e poderia até, com o posto que tem no exame da questão da Vale do Rio Doce, transformar-se em nome nacional em aguerrida oposição à galinhagem oficial de submissão aos interesses internacionais em nome de um ajuste, improvável, das contas públicas.
Ocorre que da mesma forma que a ferocidade de Sérgio Motta contra Lerner se dá em função da circunstância de que o paranaense, dentre os modernos, é um dos poucos listáveis como alternativa a FHC na oposição, esses fatores podem beneficiar também o senador paranaense, desde que, é lógico, o intento do cardeal de Mombaça, Paes de Andrade, com a presidência prorrogada no PMDB, consiga levar a agremiação ao combate, hipótese remota, mas não impossível.
De todos os paranaenses, o que detém melhores condições para a disputa da presidência ainda é Lerner. Não tanto quanto Ney Braga na fase militar, mas superior ao infantilismo da experiência de Affonso Camargo, da qual não é possível recordar sem constrangimento, ou de Álvaro Dias, que ficou em último lugar no PMDB, ou a de Requião nas prévias. Agora, porém, Requião é depois de Lerner o listável para o bem e para o mal, experiência que apenas acumularia energia para voltar ao governo porque hoje a disputa já nasce polarizada entre Lerner e Álvaro, daí a subserviência deste ao Serjão até no insulto.
BIZARRICE - A Petrobrás, segundo o médico Jesus Cheda, teria ajudado a provocar o infarto que matou Paulo Francis por causa da ação de indenização que movia contra o jornalista. Se estivesse vivo contaria as duas últimas façanhas da empresa que tanto criticava: a ‘‘enrustida’’ na importação de petróleo que deu a balança superavitária (o déficit foi de US$ 413 milhões) em janeiro e a multa de US$ 4,257 bilhões por motivo da venda de ações da Petroquisa na gestão Collor (tinha que ser) a partir de dezembro de 1989. O depoimento de Jesus torna ainda o caso mais cheio de magia.
SPRAY - Crise do Banestado é maior do que aparenta: cortes de horas extras e de pessoal (2.600 em dois anos) gerariam economia de cerca de R$ 100 milhões. Anos passados, um número desses não justificaria medida tão heróica. - Desde segunda-feira o problema angustia e deprime os funcionários: na agência Muricy, caixas encerraram o basquete às 16h30 e havia mais de cem clientes para atender. Foi preciso empenho máximo de gerentes para contornar a situação. - O banco que endureça critérios de concessão de crédito, corte os juros subsidiados de algumas corporações entre públicas e privadas, feche agências deficitárias (mesmo que a escumalha política pule de raiva) e transfira os funcionários para as de maior demanda e tudo se estabilizará. - Outra coisa: se está assim tão mal por que não vende de uma vez a Reflorestadora para tapar essa buraqueira toda? Urge igualmente pôr fim à colher de chá ao fundo de pensão ou a Associação Banestado que devem aprender a viver com as próprias pernas e não como beneficiárias de acerto de contas de inadimplentes como se deu com a água Santa Paula. - Tirar da administração o caráter político ou o corporativo (aquela estória que não resolve coisa alguma da representação de funcionários na diretoria) e também a condição de UTI da área de comunicação social do governo que tem um apetite insaciável, pantagruélico. - A assembléia com 700 funcionários dá bem a medida do desespero e a tênue esperança de que o sindicato da categoria é a bóia salvadora no naufrágio. - Não há também, num momento de competição, perspectiva de motivar funcionários sob o garrote vil do corte de vantagens que os estão ‘quebrando’, muitos deles sem saber como renegociar o contrato da casa própria por não poderem pagar as prestações. - O Banestado é uma causa paranaense, uma instituição permanente e é preciso fazer o possível e o impossível para preservá-lo. Seria, no entanto, criminoso que se fizesse sacrifícios nos pequenos e os eternos beneficiários e parasitas seguissem numa boa na lista dos créditos incobráveis.
FOLCLORE - O bispo chega numa cidade do Norte e o seu recepcionista confuso com o tratamento pergunta: ‘‘Vossa Excelência Reverendíssima está cansada?’’ A resposta é de bate pronto: ‘‘Estou exausta’’.
AFORÍSTICO - Marchamos, com as vitóris de FHC, para o despotismo. Não fosse o Sérgio Motta, poder-se-ia dizer ‘‘despotismo esclarecido’’.

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