Luiz Geraldo Mazza
Luiz Geraldo Mazza
Bumerangue à vista
Essa campanha eleitoral, até aqui meio frouxa, mas por isso mesmo fazendo pressentir a barra pesada que está por vir, é rica num detalhe: o de haver uma espécie de bumerangue, aquela arma dos australianos que arremessada no espaço retorna ao ponto de partida. O senador Requião enfrenta situações controversas com a retomada do processo do Teixeirinha, líder sem-terra, morto na tragédia de Campo Bonito: fica difícil ao MST apoiá-lo e talvez esteja nesse fato a razão pela qual a organização decidiu não se ligar a nenhum candidato. Mas, de outro lado, Lerner incorre na mesma situação, ora com as suas confusões em torno do pedágio, ora na decisão de processar o seu adversário pelo uso de site da Internet para denunciar as fraudes do Banestado.
Se o processo contra o uso da Internet for intentado, mais um gol contra estará assinalado. Quem tiver a pachorra de acessar o bolodório, está condenado a um tédio semelhante ao de um leitor que olhe a lista telefônica e com a mesma efusão e prazer de quem lê Jorge Amado: é um labirinto, não o de Creta, mas certamente o dos cretinos. Enfim, um cipoal onde são transcritas atas internas da diretoria do Banestado. Mas com a atenção despertada pelo processo, não poucos editarão o conveniente, isso é, retirarão aquilo que mais compromete o governo, a maioria conhecida pelos tenebrosos episódios da Leasing e da Corretora.
Mesmo o que é contundente não é novo. Dava até para lembrar a frase famosa daquele europeu que após ouvir uma palestra erudita, fez a observação: O senhor disse coisas verdadeiras e novas; só que as novas não eram verdadeiras e as verdadeiras não eram novas. Quase o mesmo se dá com essas denúncias.
Um dos procuradores de Lerner se mostrou irritado com os incidentes com o candidato do PFL ao governo de Sergipe serem referidos com tanto detalhe. Ele que não se abespinhe porque a imprensa nacional, mais cedo ou mais tarde, trata do assunto, e não faz tempo, a coluna de Teresa Cruvinel, de O Globo enfocou o caso, que é cabeludíssimo e pega mal para os dois candidatos e amigos, o João Alves Filho, de Sergipe, e o Jaime Lerner, do Paraná. Ocorre que o primeiro já tinha a inadimplência caracterizada quando o segundo, no empenho de ajudá-lo, acertou o parcelamento em 60 meses da dívida acumulada e com isso lhe forneceu argumento para processar o Banestado, sob o fundamento de que lhe abalara o crédito ao incluí-lo na denúncia feita na Justiça federal. Mais bumerangue.
AXIOMA
Depois que o Brasil perdeu a Copa do Mundo, que a Xuxa teve a filha e, no caso do Paraná, o Anthony Quinn foi embora, a comunicação acabou
GLOSA No Brasil é assim: a gasolina pode cair até 3%, mas o transporte de ônibus interestadual e internacional tem suas tarifas aumentadas em 5%. O curioso é que em alguns casos é mais barato viajar de avião do que de ônibus.
BIZARRICE A política é a farsa permanente. José Janene, do PPB, vivia ameaçando o governo de aproximação com Álvaro Dias para respaldá-lo como candidato ao Palácio Iguaçu. Depois das intervenções de Maluf, afinou e voltou a falar grosso quando PTB e PFL, levianamente, o que corre à conta da tradição, decidiram formalizar apoio a Álvaro para o Senado. Aí PTB e PFL recuaram e deixaram o dito pelo não dito. Quando todos esperavam que Tony Garcia, depois de tudo isso, se enchesse de brios (chegou, afinal, a ameaçar um apoio a Requião para pressionar Lerner), anuncia-se que o cara vai tirar o time de campo. Quem deveria tirar o time do campo era o eleitor, diante de tanta patuscada, inconsequente e despolitizadora.
SPRAY Empresários de transporte de passageiros acusam queda no movimento este ano. Na Graciosa, a queda foi de 3% e vai aumentar tanto nela, como nas demais empresas, com o pedágio. Não haverá como deixar de repassá-lo ao passageiro. - Para complicar, o governo (e em época de eleições o assunto sempre é agitado porque quem tem concessão se vira e acaba assinando o livro ouro) se empenha em quebrar o monopólio do sistema. Já há legislação vigorando, mas até agora não mexeram na raiz da questão. - Aqui, no Paraná, sob Álvaro Dias, várias vezes, agitaram a bandeira, sempre perto da eleição. E o tema entrou na Constituição estadual com garantia dos direitos adquiridos das empresas. - Rocambolesco, para dizer o mínimo, esse assalto à Federação Paranaense de Futebol, justamente depois do Atletiba e da chegada dos oficiais de Justiça. É coincidência demais e surpreendente que uma grana, não desprezível, estivesse em cofre da entidade. - A crônica esportiva do Paraná é de um parcialismo tremendo: quando houve a denúncia do suborno do Coritiba, o setor atleticano queria ver o Coxa suspenso sem maior exame do assunto no qual advogados cronistas acabaram aparecendo como intervenientes. E agora, com o caso do falso Renato, que é Cleonício e que joga no Atlético, como é que fica, hein? - Cerca de 400 maçons, representando as mais diversas lojas do Paraná, estavam presentes à posse do Grão Mestre José Buzato e do Grão Mestre Adjunto, Admilson José Miranda. Presidiu a sessão Jaudê Ricardo Loures Rocha, presidente da Assembléia Legislativa Maçônica do Grande Oriente do Paraná. O ato que reuniu autoridades maçônicas teve lugar na sede do Grande Oriente. - Tribunal Regional de Porto Alegre suspendeu a medida do juiz federal de Maringá que cancelava, a partir de agosto, a cobrança do pedágio. Mas é certo que virão outras pendências. - O Paraná tem um consumo per capita de energia inferior ao de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Copelianos e estudiosos do Ipardes se debruçam em gráficos para entender a distorção. Afinal, temos um per capita em renda também inferior às duas unidades meridionais. Explica?
FOLCLORE Cássio Taniguchi, prefeito, com aquele olhar de mistério, tentava explicar por que o secretário de Saúde, João Carlos Baracho, foi trocado e referiu-se a um surto de gripe que teria provocado maior número de internações hospitalares. Atchim se explica porque a equipe engripou.
CROMO A aranha é a artista, mas a luz da manhã somada ao orvalho é que produz esse rendilhado.
AFORÍSTICO Não desesperemos, pois o que está por vir é bem pior.





