Luiz Geraldo Mazza
Luiz Geraldo Mazza
Haja troca-troca
Especulou-se que um dos motivos da saída do secretário de Saúde de Curitiba, João Carlos Baracho, deve-se à resistência ética a uma proposta bem na linha do pragmatismo da moda: a troca de uma dívida do ISS por prestação de serviços de uma conveniada de saúde a segurados do IPMC.
Com a habilidade de esgrimista, que joga com o florete - enquanto Lerner o segura como se fosse um tacape - o prefeito Cássio Taniguchi deu explicações formais a todos os líderes de partido na Câmara Municipal, mas não convenceu, razão pela qual o dique não foi suficiente para conter a escalada das especulações.
Deixado de lado o pudor compreensível de um profissional de medicina que cada vez mais se horroriza com a sua mercantilização, que de sacerdócio se fez uma gôndola de supermercado, raciocinemos: que tal o escambo, isso é a troca de débito por serviço ou mercadoria? Boa parte dos grandes devedores fiscais do Paraná poderia amortizar e até liquidar suas contas com reservas florestais, por exemplo, ou com açúcar e álcool no caso do indefectível Atalla. Perfume, aparentemente mercadoria supérflua, poderia cobrir impostos não pagos na dívida ativa e sujeitos a volatilizar-se por falta de fixador. Numa época, uma fábrica de cervejas estava em primeiro lugar como devedora do ICMS e, se pagasse o que devia em bebida, os fins de tarde no Palácio Iguaçu, com seus anedoteiros de plantão, seriam mais espirituosos do que os animados a uísque.
Há um troca-troca de secretários e o anúncio de novo modelo previdenciário. Os segurados do IPMC, como os do IPE, sabem que o Estado neste caso e a Prefeitura de Curitiba, no outro, jamais cumpriram a sua parte na sustentação do sistema. E numa época de vacas magras, de salários sob arrocho, a prestação de serviços na área de saúde configuraria um ganho indireto.
Cancelamento de convênios, recusa sistemática de atendimento em hospitais, essa cultura é comum, enfim, a essas duas instituições previdenciárias. No auge do desespero apareceu essa idéia pouco sã como remédio e pelo jeito meio falsificado: a troca do certo (um atendimento médico feito nas coxas, portanto meia-sola) pelo duvidoso (a espera do pagamento do devedor contumaz).
FOLCLORE
Cada fim de semana haverá comício na praça do pedágio. A festa é do governo, mas quem ganha é a oposição
AXIOMA Ao reduzir o pedágio em 50%, o governador perdeu moral para exigir que as consorciadas cumpram suas obrigações mais elementares, daí a confusão de ontem na BR-277: das 11 catracas, funcionavam apenas cinco. Tiveram que liberá-las para evitar um quebra-quebra diante do engarrafamento. Só falta uma cena dessas no feriadão de setembro para que o governo faça mais um gol contra, bem pertinho das eleições.
GLOSA O prefeito de Matinhos, Francisco Carlim dos Santos (PSDB), nunca escondeu seu relacionamento com Requião, mantendo alguns auxiliares como o Molinari, que teve posto no Banestado. Agora declarou apoio a Lerner, mas parte do seu staff continua oposicionista, o que é absolutamente normal.
BIZARRICE Um dirigente do Vasco da Gama pegou a parte da renda que cabia ao clube numa disputa no Maracanã e foi assaltado a caminho. Ontem a sede da Federação Paranaense de Futebol foi assaltada na hora em que devia entregar mais de R$ 20 mil, da parte que lhe cabia do Atletiba, para atender uma execução judicial.
Curioso é que a FPF tem no Tribunal de Justiça Desportiva quatro delegados de carreira: Alex Danielevicz, Clóvis Galvão, Mário Ramos e Fauze Salmen. E conta ainda com um chefe de segurança: o delegado calça-curta de Pontal do Paraná, Altair Ferreira Pinto. Não é de espantar que com tanta segurança nada afinal se descubra: o atentado ao (à época) secretário de Segurança, Cândido Martins de Oliveira, até agora também não foi esclarecido. Tudo rigorosamente lógico, ainda que lembre história do Gabriel Garcia Marquez e do Vargas Llosa.
PESQUISAS Na Vox Populi, de julho, Lerner estava com 44% e Requião com 34%. Ficou nítido que os votos de Álvaro Dias se dividiram entre os dois. Em maio, a diferença era de sete pontos e o Nedson Micheleti, que detinha 3 pontos, não os transferiu para Requião na sondagem mais recente.
Segundo José Carlos Mendes, cada vez que ele vê o Micheleti se lembra do Tadeu França, aquele laranja que dissidentes do PDT criaram para rachar o partido e dividir o horário eleitoral no pleito de 90. O Micheleti é sério, tanto que era o candidato do peito do Cheida a prefeito de Londrina. Mas a analogia tenebrosa pode confirmar-se com a cristianização do postulante petista em favor de Álvaro Dias, movida por setores do PMDB.
SPRAY Ontem, em pleno Atletiba, oficiais de Justiça, de posse de mandado, por ordem do juiz Paulo Henrique Kretzschmar e Conti, da Junta de Conciliação e Julgamento, foram à sede da Federação Paranaense de Futebol para recolher cerca de R$ 20 mil da parte da entidade no borderô do clássico. - O presidente da Federação, Onaireves Rolim de Moura, prometeu que saldaria o compromisso ontem, segunda-feira. Ontem houve a queixa do assalto à entidade feita por três funcionários. - Graças ao prestígio que detém no atual governo, com quem acerta a Vila Olímpica e até, em futuro próximo, a venda do estádio, o presidente da FPF conseguiu retornar ao posto do qual fora afastado por decisão judicial e não pagamento do IPTU. Surpreendentemente, a Prefeitura fez a composição na sequência da entrada do partido de Onaireves, o PSD, na aliança de apoio a Lerner, e com ganho de mais tempo na propaganda do rádio e televisão. - Outro aliado no esporte importantíssimo de Lerner é o secretário da área, Osvaldo Santos, apontado como o responsável pelo cataclisma da Leasing Banestado e que será uma das pérolas da campanha eleitoral. - Após o Atletiba, antes do afano na FPF, houve a costumeira batalha de rua, a despeito de todas as cautelas tomadas pela segurança: depredados seriamente pelo menos três ônibus.
- Por falar nisso, um dos ônibus a gás em teste já deu uma trombada e está avariado na altura do pára-choque dianteiro. - E ontem, técnicos da Copel foram para a Argentina para uma reunião para tratar de gás e a montagem de redes de distribuição aos nossos países vizinhos. - O delegado Luis Fernando Artigas, um expert em armas, vai dar curso de tiro na Academia de Polícia de Nova York.





