Luiz Geraldo Mazza
Luiz Geraldo Mazza
Salvar as estradas
A prioridade é salvar as estradas federais (essas do Anel de Integração) e não o pedágio. Afinal, se este for considerado ilegal pela Justiça, não há como contornar o problema. Esse raciocínio é apenas um exercício de lógica e não um saque para comício eleitoral. Ocorre que sem o pedágio não há recursos para a recuperação das estradas. O que não justifica, no entanto, que em nome dessa indispensabilidade sejamos assaltados legalmente, como estava programado.
Se houver uma pesquisa no Paraná, a maioria se postará favoravelmente ao pedágio e a quase totalidade contra os valores anteriormente fixados. Decisões como essa da Justiça Federal de Maringá obrigam o governo a mexer-se muito antes do que os concessionários, e dão um certo equilíbrio para as negociações que se desenvolverão em cima do corte de obras para ajuste à nova tarifa. Assim fica democrático, ou pelo menos mais democrático, aquilo que emergira, de forma truculenta e autoritária, com a força de um édito feudal, das artes de um terrateniente.
Virão novas ações na Justiça, pois assim também aconteceu em São Paulo, com a suspensão temporária da cobrança nas praças de pedágio, hoje restabelecida. Uma delas é contundente - e já em trâmite - a do Ministério Público Federal em Cascavel, e que argui a inexistência de alternativas na via pedagiada, como um bloqueio concreto ao direito constitucional de ir e vir. A propósito, há decisão do STJ, num caso equivalente de Minas Gerais, obrigando a existência dessa estrada opcional. A rigor não é bem assim: nesse caso citado, a concessionária quis obrigar uma comunidade a passar pela praça de pedágio bloqueando, em ato de força, a via de trânsito local.
Num momento em que vemos algumas consorciadas se achando no direito de bloquear desvios, como a Econorte fez em Jataizinho sob o fundamento de que o utilizavam para fugir à imposição do pagamento, percebe-se que a confusão é geral. Absurdo, afinal, igual ao daquele integrante da Polícia Rodoviária que disse que não haveria atendimento em ocorrências em vias alternativas. Um samba de crioulo doido, decorrente da falta de democracia, passionalismo. No caso de Jataizinho, houve composição para liberar o desvio, o que garantia o acesso de moradores às propriedades rurais.
Vamos rever tudo e permitir que, pela permeabilidade, as clientelas interessadas - vale dizer o público em geral - acompanhem as negociações. Caixa preta, como estava sendo feito desde o início, nunca mais.
EPIGRAMA
Quem com Ferreirinha fere, com
Teixeirinha será ferido?
AXIOMA Cúmulo dos cúmulos seria faltar canja de galinha no hospital para atender a alimentação de emergência dos avicultores que quase morreram com a sua greve de fome pedindo solução para o Frigorífico Chapecó. O governador, se tiver sensibilidade, intervirá seriamente no assunto. Afinal, festeja a chegada de grandes investimentos e nem sempre faz o possível nos casos de perdas de empresas paranaenses.
GLOSA Romaria de credores na Secretaria de Esportes. Todo mundo reclamando atraso de vários meses, inclusive gente das equipes jornalísticas. O dinheiro perdido da Leasing dava pra atender rapidamente todo mundo. Outra coisa: quem achar que o caso é de polícia, basta ir ao andar de baixo, que é da Secretaria de Segurança. Essa atmosfera não se perfuma nem com Rexona.
BIZARRICE Se dar balão em credor se transformasse em modalidade olímpica, o Paraná poderia concorrer ao título, com o seu governo, sem precisar de griffe de fora.
EPIGRAMA Boa a piada da jornalista Rosely Abraão, ontem, ao sugerir que o depoimento do Nestor Baptista deixou o pessoal do Curtume com o coração de luto em seu esforço para explorar o caso Teixeirinha. Essa Rosely, às vezes, dá impressão que não tem coração, capaz de fazer humor no padrão Requião.
SPRAY Falta de segurança é moeda eleitoral das mais fortes: o padrão tinha melhorado, mas voltaram os assaltos a bancos ontem em Almirante Tamandaré, na agência Banestado, e no Bradesco da XV, na Capital. - No primeiro caso, urge dar uma olhada para ver se a limpeza na delegacia foi completa, uma vez que ali havia uma conjugação do crime com a polícia ao ponto de serem fornecidas armas aos marginais (uma espécie de empréstimo) para os assaltos, cujo produto era rachado pelos sócios da legalidade e da ilegalidade. - Por falar em polícia, botaram panos quentes na prisão de um ex-prefeito da Região Metropolitana que operava com palmitos e não teve pepino nenhum com a intervenção de um deputado. - Está para estourar um episódio da pesada numa das áreas sensíveis da Grande Curitiba. - A solução para o estúdio de campanha do PMDB foi familiar, em casa reformada e pertencente aos Requião. É melhor do que encarar constrangimentos como os havidos, anos antes, com a sede do PMDB, cuja hipoteca foi requerida pela Clichepar, onde o Romanelli já trabalhou. - O PMDB está alvoroçado com as adesões de prefeitos a Lerner, como os casos de Guiomar de Jesus Lopes, de Francisco Beltrão, referência no interior do partido, e de Jaime Guzzo, de Dois Vizinhos, cidade também importantíssima do Sudoeste. Com o racha nacional na convenção, os argumentos para forçar a adesão interna se tornam inócuos. - Antonio Britto, governador gaúcho, antes não queria saber do BRDE, mas agora firmou posição em favor de sua manutenção. O Banco Central é contra (e um dos que seguem a doutrina é Miguel Salomão), mas não parece haver inconveniente em ter BRDE e o banco de fomento paranaense, como anteriormente havia na coexistência, com o Badep.
FOLCLORE Otacílio Gonçalves, técnico de futebol, apareceu na capa do tablóide Hora H com a frase bombástica: Vou pôr o Paraná entre os 8 primeiros. Na banca de jornal da Boca Maldita, um atleticano garatujou embaixo a serem cortados da competição.
CROMO A ostra de aparente dureza// (o exterior de quase pedra)// no recôndito âmago carrega// o mais real de sua natureza// e só quando liberada revela// (a quem o seu íntimo busca)// o quanto em verdade é bela:// e esplendor e pérola-ofusca// a lição do molusco singelo (de permanente consciência)// é de que muitas vezes o belo// se oculta em falsa aparência// Poema de Mário Staziak, de Cruzeiro do Oeste.
AFORÍSTICO Quem socorre o candidato a governador que cai nas pesquisas em primeiro lugar é o bajulador mais próximo. É a utilidade do consolo.





