Luiz Geraldo Mazza
Nanismo do PSDB regional
O nanismo do PSBD dá um cacófato, logo de cara, sem qualquer intenção, pois veio naturalmente. Aliás, há uma visão equivocada sobre os cacófatos: o de que só existiriam quando formam uma palavra como quando se diz ‘‘ela tinha’’ ou quando se acusa ‘‘uma cacofonia’’. Na verdade, do grego traduzimos ‘‘caco fonos’’, som desagradável, algo como um ‘‘pum’’ na frase. Meu mestre de português, professor Luis César, pai do Henrique, presidente do TJ, tinha o hábito de ler as redações que lhe vinham à mão juntando sílabas finais com as iniciais da palavra seguinte e com isso fazendo descobertas eufônicas surpreendentes e afastando as que considerava deselegantes.
O PSDB só tinha duas chances de deslanchar no Paraná: ou permitia o ingresso de Lerner e com isso faria uma obra-prima, ao gosto do Serjão, em termos de gigantismo, ou lançaria candidato com Álvaro Dias. Mas este queria garantias como as que está obtendo para disputar o Senado: todos os bônus, zero de ônus. Desejava mais tempo na TV, coligação com o PPB do Maluf, enfim um mínimo de riscos. Que era o mais habilitado a enfrentar Lerner não havia dúvidas e com isso viabilizaria um partido destinado a virar ‘‘maracujá de gaveta’’ no Paraná, com baixa representação nas eleições proporcionais e que se esvaziará mais ainda com a debandada de prefeitos que já estão apoiando e de forma nada discreta o governador à reeleição.
Numa coisa Álvaro tem razão: pega mal, depois de tudo o que tem dito de Lerner, aparecer ao seu lado. E tenta com a corrida solo, já que o PFL abriu mão, no ‘‘acordo branco’’, de apresentar candidato, fazer uma votação das mais elevadas do País para surgir, diante do Planalto, como eleitor máximo, embora acompanhado por um Exército de Brancaleone em termos representativos. Fica, porém, a impressão de que colocou seus interesses pessoais acima do partido, cuja prioridade máxima é a reeleição de FHC - tanto que no Sul abriu mão da vaga para facilitar o objetivo maior. O Rio Grande do Sul, com o apoio ao PMDB de Antonio Britto, é um exemplo claríssimo.
Requião também fez muitos mais votos, como candidato senatorial do que Lerner, e nem por isso o desbancou em termos eleitorais. Indicadores de pesquisas dão, obviamente, a liderança de Álvaro na disputa senatorial. Mas Paulo Pimentel, que se declarou indisposto ao papel de ‘‘boi de piranha’’, se enfrentasse Álvaro (o que já aconteceu e com sua vitória para deputado federal), disse que pode ‘‘pintar’’ um Leite Chaves nesta eleição, sugerindo que pelas artes de image-makers isso pode acontecer com aquele jeito de Actor Studio’s do Toni Garcia, falsamente sonso e com um ar de grunge. A história só se repete como farsa, como ensinava Marx. E há maior farsa do que a política no Brasil?
Em tempo: onanismo, biblicamente, no rigor originário, é coito interrompido.


BIZARRICE
Orlando Carlini, fulminando a ‘‘transformação’’ que Lerner estaria fazendo no Paraná com a chegada das montadoras: ‘‘Ele conseguiu a façanha de dar ocupação a robôs sem uso da França’’



AXIOMA Por que será que a maioria das pessoas olha, desconfiada, para as formais declarações de bens dos candidatos? Um arquiteto famoso como Lerner, com projetos nacionais e internacionais, juntar ao longo de uma carreira ainda não encerrada, de mais de trinta anos, um patrimônio de menos de R$ 1,5 milhão não deixa de ser uma surpresa.
O candidato do PSTU é o outro extremo: não tem bens. Está como aquele pobre da anedota que apontou como bens de raiz os dentes e os cabelos. Como se chama Jesus, estamos diante de uma pobreza redundante.
GLOSA Por falar em redundância, nada superou até hoje o maior pleonasmo que conheço, o do vereador Soriano, de Paranaguá, gongórico, e adorando a linguagem domingueira com que terminou um discurso. ‘‘E viva a paz universal do mundo inteiro todo’’.
SPRAY Meios políticos se agitaram ontem com a notícia de que haveria audiência do conselheiro Nestor Baptista no processo de Campo Bonito, onde morreram 3 PMs e o líder sem terra Teixeirinha. - É mais um fantasma que sai do armário: dias passados houve a sentença de primeiro grau, condenando Requião a devolver o 13º salário que teria indevidamente recebido quando prefeito da Capital. - Sobre o caso Teixeirinha, Requião está processando Joni Varisco, que o acusou de ter dado a ordem de endurecimento ao comando da unidade de Cascavel. Joni reafirmou tudo em juízo e pelo jeito é interessado na exploração política do caso. - Joni indicou como testemunhas que teriam ouvido a ‘‘ordem’’ Mário Pereira, então vice governador e secretário de Transportes, e o conselheiro Nestor Baptista. - Aliás, um parecer de Nestor, como integrante do TC, foi peça relevante no caso do 13º que não pode, no seu entender e no da jurisprudência, beneficiar entes políticos como prefeitos e vereadores. - Liminar da Justiça Federal interrompendo a cobrança do pedágio, reequilibra a condição do governo para negociar com as consorciadas. Mas haverá outras, certamente, como a que se acredita possível com a ação do Ministério Público Federal em Cascavel que, assentada numa decisão do STJ, exige a via alternativa para as estradas pedagiadas. Se essa pegar vão-se os anéis de integração e não sobram nem os dedos para comemorar ou lamentar. - Buscando solução rápida para o caso, a Procuradoria Geral do Estado tenta salvar o projeto de Lerner e livrá-lo, também, dos efeitos políticos negativos do processo, e vai agir junto ao Tribunal Regional de Porto Alegre. - Os juízes federais no Paraná estão numa cruzada junto com empresários: a de brigar por um Tribunal aqui - e esse é um argumento ilustrativo. - Panelaço das viúvas do IPE (Instituto de Previdência do Estado), é mais uma cobrança em cima do governo de um assunto antigo. Como falta dinheiro para tudo (alugueres atrasados, o mesmo acontecendo com o pagamento de prestadores de serviços, embora a prodigalidade na área da cultura e do esporte) dá para lembrar daquela onda, no início do governo, quando Vladmir Belinati comandava o IPE, e que deu prioridade ao pagamento da viúva do ex-deputado Arnaldo Busato, irmã do secretário Cândido Martins de Oliveira. A memória não é volátil como bolha de sabão.
FOLCLORE Certa vez, anos 70, aqui na Folha, ao ironizar a precisão do Ibope quanto à pesquisa de audiência de rádio coloquei o título: ‘‘É mais fácil você ser visitado pelo Bob Hope do que pelo Ibope’’. Isso não serve para ajudar político em queda, mas é melhor do que dizer que a pesquisa verdadeira será a 4 de outubro, normalmente choro de derrotado prévio.

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